Urnas contrariam pesquisas e colocam Flávio Bolsonaro à frente de Lula
Pesquisas reacenderam debate sobre precisão dos levantamentos.
Publicado em 6 de outubro de 2026, 09:53 — Em São Paulo

O resultado do primeiro turno das eleições deste domingo (4/10) colocou em evidência uma diferença significativa entre o cenário apresentado pelas pesquisas de intenção de voto e o resultado registrado nas urnas.
Na reta final da campanha, os principais institutos apontavam Lula à frente de Flávio Bolsonaro (PL). Embora alguns levantamentos mostrassem uma disputa apertada, nenhum deles indicava a inversão que seria registrada na apuração.</u>
Datafolha, Quaest, Real Time Big Data, Atlas/Intel e CNT apresentaram Lula numericamente à frente nos levantamentos divulgados nos dias anteriores à votação. Na Quaest, por exemplo, a diferença era de apenas um ponto: 46% para Lula contra 45% para Flávio. Já a CNT apontava 47,8% para o presidente e 42,1% para o senador.
O resultado das urnas, entretanto, foi diferente. Com 100% da apuração concluída na madrugada de segunda-feira (5/10), Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47% dos votos, contra 45% de Lula; uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
O que explica a diferença?
Após a divulgação do resultado, os institutos ressaltaram que pesquisas representam um “retrato do momento” em que são realizadas e não uma previsão definitiva do resultado eleitoral.
Também foi apontada a possibilidade de um movimento de última hora do eleitorado, especialmente um chamado “voto útil de direita” em favor de Flávio Bolsonaro, que poderia ter alterado o cenário nos últimos dias de campanha.</b>
A explicação, porém, não encerra o debate. Se houve uma mudança significativa de comportamento do eleitorado na reta final, permanece a questão sobre a capacidade das pesquisas realizadas tão próximas da votação de captar esse movimento.
Um debate que precisa continuar
O ponto central não é apenas identificar qual instituto chegou mais perto ou mais longe do resultado. A questão é entender por que pesquisas divulgadas às vésperas da eleição convergiam para uma liderança de Lula, enquanto as urnas terminaram com Flávio Bolsonaro na frente.
A diferença merece ser analisada à luz das metodologias utilizadas, dos critérios de amostragem e ponderação, do comportamento dos eleitores indecisos e da eventual migração de votos na reta final.
Pesquisas continuam sendo importantes para compreender o comportamento eleitoral, mas discrepâncias como essa reforçam a necessidade de transparência e de um debate público sobre os limites e a precisão dos levantamentos eleitorais.
A pergunta que fica é simples: se as pesquisas eram retratos do momento, o que mudou entre a última fotografia divulgada pelos institutos e o resultado apresentado pelas urnas?</b></u>




