Trump acusa Brasil de prejudicar os EUA e mantém tarifa de 50%
Casa Branca prorroga por mais um ano medida que amplia a tensão comercial entre os dois países.
Publicado em 29 de julho de 2026, 17:15 — Em São Paulo

A Casa Branca anunciou nesta quarta-feira (28) a prorrogação, por mais um ano, da ordem executiva que impõe uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida, adotada com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês), mantém a pressão comercial sobre o Brasil e prolonga um dos episódios mais delicados da relação bilateral nos últimos anos.
Em comunicado oficial, o governo norte-americano justificou a decisão alegando que o Brasil adota práticas que, segundo Washington, "interferem na economia dos Estados Unidos, infringem os direitos de livre expressão de cidadãos norte-americanos, violam os direitos humanos e comprometem os interesses dos EUA na proteção de seus cidadãos e empresas". O texto também faz referência ao Supremo Tribunal Federal (STF), acusando a Corte de promover censura.
A renovação da medida ocorre em meio a uma escalada de atritos entre os dois países. O chamado "tarifaço" provocou reações do governo brasileiro, que classificou a iniciativa como uma decisão de caráter político e sem fundamento econômico. Desde então, autoridades brasileiras passaram a defender o diálogo diplomático e a avaliar possíveis respostas no campo comercial, enquanto representantes do setor produtivo demonstram preocupação com os impactos sobre a competitividade das exportações nacionais.
Além dos reflexos econômicos, a crise ganhou contornos institucionais. O governo dos Estados Unidos passou a relacionar a política tarifária a críticas sobre decisões do Judiciário brasileiro, especialmente do STF, aproximando temas comerciais de questões ligadas à liberdade de expressão e ao funcionamento das instituições democráticas. No Brasil, integrantes do governo e do Supremo rejeitam essas acusações e sustentam que as decisões judiciais observam a Constituição e a legislação vigente.
A manutenção das tarifas reforça um cenário de incerteza para empresas brasileiras que dependem do mercado norte-americano e evidencia o desgaste nas relações entre Brasília e Washington. Ao mesmo tempo, o episódio amplia o debate sobre os limites da utilização de medidas econômicas como instrumento de pressão política nas relações internacionais. Para além de uma disputa comercial, o impasse coloca em discussão o equilíbrio entre soberania nacional, cooperação diplomática e os impactos que tensões entre governos podem gerar para a economia, as instituições e a população dos dois países.
Redatora: Amanda Mendes



