PF vê indícios de que Vorcaro sabia de operação e tentou deixar o país
PF apura possível vazamento antes da ação que mirou o empresário.
Publicado em 11 de setembro de 2026, 17:06 — Em São Paulo

A tentativa de deixar o Brasil às pressas, na véspera de sua prisão, passou a ser um dos principais pontos das investigações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Para a Polícia Federal, os elementos reunidos até agora indicam que a viagem não teria sido uma simples coincidência.
Documentos da investigação apontam que Vorcaro teria tomado conhecimento antecipado de que seria alvo da Operação Compliance Zero e, nos dias que antecederam sua prisão, em novembro de 2025, passou a adotar uma série de medidas que agora são analisadas pelos investigadores.
Segundo a Polícia Federal, é “improvável” que a tentativa de deixar o país na noite anterior ao cumprimento dos mandados tenha ocorrido sem qualquer relação com a operação. Vorcaro foi detido antes de concluir a viagem, e a movimentação passou a integrar o conjunto de indícios examinados pela corporação.</i>
A suspeita de acesso antecipado a informações sigilosas amplia ainda mais o alcance do caso. De acordo com documentos revelados nesta semana, a PF apura possíveis contatos e mecanismos que teriam permitido ao ex-banqueiro acompanhar informações internas sobre investigações e autoridades envolvidas no caso.
O novo capítulo surge em meio a uma sucessão de escândalos e desdobramentos envolvendo Vorcaro e o Banco Master. Nos últimos dias, por exemplo, vieram a público informações sobre suspeitas de relações com servidores públicos, movimentações financeiras investigadas, estruturas empresariais no exterior e novos personagens que passaram a ser alcançados pelas apurações. A CVM também condenou o Banco Master, Daniel Vorcaro, seu irmão Henrique e outros envolvidos por práticas fraudulentas relacionadas a operações anteriores, com multas que somam centenas de milhões de reais.
As investigações também têm provocado repercussão política e institucional. O material analisado pelas autoridades abriu novas frentes de apuração e intensificou o debate sobre possíveis relações entre o grupo ligado ao Banco Master, agentes públicos e integrantes de diferentes setores de poder. Parte dessas suspeitas ainda está sob investigação, e os envolvidos têm apresentado negativas e versões próprias em relação às acusações.
O caso Vorcaro, portanto, deixou de ser apenas uma investigação sobre o colapso de uma instituição financeira. A cada novo documento revelado, surgem questionamentos sobre fiscalização, circulação de informações sigilosas, influência econômica e a capacidade das instituições brasileiras de impedir que interesses privados avancem sobre estruturas do Estado.
Diante da gravidade dos novos fatos, o debate público se torna indispensável: como informações de uma operação sigilosa poderiam ter chegado antecipadamente ao investigado? Quem deve responder caso isso seja confirmado? E, principalmente, quais mecanismos precisam ser fortalecidos para garantir que poder econômico, relações políticas e interesses privados não comprometam o funcionamento das instituições?




