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Quem é Alfredo Gaspar, escolhido para ser vice de Flávio Bolsonaro

Deputado ganhou projeção na CPMI do INSS.

Nicolle Yaeko
Nicolle Yaeko

Publicado em 5 de agosto de 2026, 11:32 — Em São Paulo

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Quem é Alfredo Gaspar, escolhido para ser vice de Flávio Bolsonaro
Quem é Alfredo Gaspar, escolhido para ser vice de Flávio Bolsonaro

O deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, do PL de Alagoas, passou a ganhar espaço nas articulações políticas ligadas à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. Apesar da proximidade entre os dois, até esta quarta-feira (5) não havia confirmação oficial de que Gaspar tenha sido escolhido para ocupar a vaga de vice-presidente.

Flávio Bolsonaro foi confirmado pelo PL como candidato à Presidência da República, mas a convenção partidária ocorreu sem a definição do companheiro de chapa. Nos últimos meses, o senador chegou a declarar que pretendia escolher, preferencialmente, uma mulher para a posição. Entre os nomes mencionados nos bastidores estiveram a senadora Tereza Cristina, a deputada Simone Marquetto e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques.

Trajetória no Ministério Público

Nascido em Maceió, em 13 de agosto de 1970, Alfredo Gaspar é advogado, possui pós-graduação e exerce seu primeiro mandato como deputado federal. Antes de entrar definitivamente na política, construiu uma extensa carreira no Ministério Público de Alagoas.

Gaspar atuou como promotor de Justiça entre 1996 e 2020, passando por municípios como Maravilha, Palmeira dos Índios e Maceió. Também trabalhou em promotorias especializadas na área criminal e em grupos responsáveis pelo enfrentamento ao crime organizado.

Durante a carreira, foi duas vezes procurador-geral de Justiça de Alagoas e participou de investigações de grande repercussão no estado. Entre elas, o assassinato da ex-deputada federal Ceci Cunha e casos relacionados ao extermínio de moradores em situação de rua em Maceió.

Atuação na Segurança Pública

Alfredo Gaspar também comandou a área de segurança pública do governo de Alagoas. Ele foi secretário estadual de Defesa Social e, posteriormente, secretário de Segurança Pública durante administrações do então governador Renan Filho.

Segundo a biografia divulgada pelo Ministério Público de Alagoas, Gaspar permaneceu à frente da área em períodos entre 2015 e 2018 e novamente entre 2021 e 2022. Ele deixou o cargo em março de 2022 para participar das eleições daquele ano.

A experiência no Ministério Público e na Segurança Pública se tornou uma das principais marcas de sua atuação política, especialmente em discursos sobre combate ao crime organizado, corrupção, tráfico de drogas e endurecimento das leis penais.

Disputa pela Prefeitura de Maceió

A primeira grande disputa eleitoral de Alfredo Gaspar ocorreu em 2020, quando concorreu à Prefeitura de Maceió pelo MDB.

Ele avançou ao segundo turno, mas foi derrotado por João Henrique Caldas, o JHC. Gaspar recebeu 156.704 votos, correspondentes a 41,36% dos votos válidos, enquanto JHC foi eleito prefeito da capital alagoana.

Dois anos depois, Gaspar foi eleito deputado federal por Alagoas. O mandato começou em fevereiro de 2023 e vai até 2027. Na Câmara dos Deputados, passou por comissões como as de Constituição e Justiça, Segurança Pública, Relações Exteriores e Fiscalização Financeira.

Aproximação com Flávio Bolsonaro

Eleito inicialmente pelo União Brasil, Alfredo Gaspar filiou-se ao PL em março de 2026. Na ocasião, apareceu publicamente ao lado de Flávio Bolsonaro e afirmou ter atendido a uma “convocação” do senador para fortalecer o partido.

Além de ingressar na legenda, Gaspar assumiu a presidência estadual do PL em Alagoas, tornando-se um dos principais aliados de Flávio Bolsonaro no Nordeste.

Projeção na CPMI do INSS

A projeção nacional de Alfredo Gaspar aumentou durante os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. O deputado foi escolhido relator da comissão criada para investigar descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

Após sete meses de investigação, Gaspar apresentou um relatório com aproximadamente quatro mil páginas e sugeriu o indiciamento de 216 pessoas, incluindo políticos, ex-ministros, empresários e antigos dirigentes de órgãos públicos.

O documento, porém, foi rejeitado pela CPMI por 19 votos a 12, durante sessão realizada em março de 2026.

Apesar de não ter sido aprovado, o relatório ampliou a exposição do deputado e fortaleceu sua imagem entre setores da oposição ao governo federal.

Até que o PL ou a campanha de Flávio Bolsonaro faça um anúncio oficial, Alfredo Gaspar deve ser apresentado como aliado político do candidato presidencial, e não como vice confirmado na chapa.

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