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Professora Bebel debate educação, cenário político e impactos do tarifaço em entrevista

Entrevista aborda educação pública, ensino integral, cenário eleitoral paulista, tarifaço e questões ambientais ligadas a Piracicaba.

Luís A. Coelho
Luís A. Coelho

Publicado em 9 de setembro de 2026, 10:47 — Em São Paulo

5 min de leitura
Professora Bebel debate educação, cenário político e impactos do tarifaço em entrevista
Professora Bebel debate educação, cenário político e impactos do tarifaço em entrevista

A professora Bebel participou do Política em Pauta, em entrevista conduzida pelo jornalista Luís André Coelho, do Canal Estado SP. Ao longo da conversa, a educadora e representante de Piracicaba na política paulista apresentou suas posições sobre alguns dos principais debates atuais do Estado de São Paulo, passando pela educação pública, cenário eleitoral, relação entre diferentes campos políticos, impactos econômicos do tarifaço e questões ambientais ligadas diretamente a Piracicaba.

A educação ocupou boa parte da entrevista. Bebel falou sobre o modelo de ensino integral adotado na rede estadual, a situação dos estudantes que precisam trabalhar, o ensino noturno, a evasão escolar e as condições necessárias para que os jovens permaneçam na escola. A professora também analisou a implantação das escolas cívico-militares e defendeu que as questões pedagógicas e disciplinares sejam conduzidas pelos próprios profissionais da educação.

No campo político, Bebel avaliou o atual momento do Estado, comentou a disputa pelo Governo de São Paulo e falou sobre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas. Questionada sobre a força da direita no interior paulista, também defendeu o diálogo entre grupos políticos diferentes e afirmou que projetos considerados positivos para a população podem receber apoio independentemente da posição ideológica de quem os apresenta.

A conversa avançou ainda para questões econômicas e locais. Bebel comentou os impactos do tarifaço norte-americano sobre Piracicaba, relatou encontros com representantes do setor produtivo, BNDES e Geraldo Alckmin e falou sobre as alternativas discutidas para reduzir os efeitos sobre as empresas.

Educação e ensino integral

Um dos principais pontos levantados por Bebel foi a forma como o ensino integral vem sendo aplicado no Estado. Segundo ela, a ampliação da permanência dos estudantes na escola precisa ser acompanhada de políticas que considerem a realidade dos jovens que também precisam trabalhar.

À título de incluir, está excluindo os estudantes do ensino médio.

Bebel ressaltou que não é contrária ao ensino integral, mas questiona o atual formato.

Quando você implanta escola de tempo integral sem considerar as condições para que esse estudante permaneça no ensino médio, obviamente você está dando uma opção para ela: ou você trabalha ou você estuda.

Na avaliação da professora, políticas de apoio financeiro podem ajudar a combater a evasão e ampliar a permanência dos estudantes na escola.

Escolas cívico-militares

Outro tema de destaque foi a implantação das escolas cívico-militares. Bebel se posicionou contra o modelo e argumentou que questões relacionadas ao ensino, à disciplina e à convivência escolar devem permanecer sob responsabilidade dos educadores.

Quem educa, quem lida com disciplina e indisciplina somos nós, os profissionais da educação.

Para Bebel, a escola deve priorizar o diálogo e a participação da comunidade.

Não se ensina na marra, também não se corrige na marra. A gente corrige convencendo.

Ela também defendeu uma gestão escolar mais próxima das famílias e classificou o modelo cívico-militar como uma tentativa de militarização do espaço educacional.

Haddad, Tarcísio e o cenário paulista

Durante a entrevista, Luís André Coelho também questionou Bebel sobre o cenário eleitoral para o Governo de São Paulo. A professora reconheceu a importância das pesquisas eleitorais, mas afirmou que prefere aguardar o resultado das urnas antes de avaliar um possível novo mandato do atual governador.

Eu prefiro esperar passar as eleições. Depois de reeleito, quem for eleito é que eu quero discutir.

Bebel também declarou apoio ao projeto político representado por Fernando Haddad e apresentou críticas a medidas adotadas pela atual gestão estadual, especialmente em áreas como educação e privatizações.

Direita, esquerda e diálogo político

A força eleitoral da direita no interior paulista também entrou na conversa. Ao ser questionada sobre como a esquerda pode ampliar sua presença nessas regiões, Bebel defendeu uma diferenciação entre posições políticas democráticas e grupos que considera autoritários.

Ela afirmou que mantém diálogo com parlamentares e lideranças de campos políticos diferentes.

Eu sou uma pessoa de esquerda, mas que dialoga com pessoas da direita, e eu vejo pessoas da direita com boas ideias.

Segundo Bebel, a atuação política também precisa considerar o interesse da população, independentemente da origem de uma proposta.

Eu tenho compromisso não só com a minha ideologia, eu tenho compromisso também com a sociedade que lá me colocou.

A professora também falou sobre a necessidade de pluralidade dentro do próprio campo progressista.

Hoje a esquerda também amadureceu. Ela entendeu que tem que ter a pluralidade de ideias e de pensamentos. Você não pode ter pensamento único.

Tarifaço e os impactos em Piracicaba

Outro ponto da entrevista foi o impacto das tarifas adotadas pelos Estados Unidos sobre empresas brasileiras. Bebel destacou especialmente a situação de Piracicaba, município fortemente ligado à indústria e às exportações.

Piracicaba é, no Brasil, a que mais sofre com o tarifaço, ela sente mais o efeito.

A professora relatou participação em reuniões com empresários e representantes do poder público, incluindo encontros com o BNDES e com Geraldo Alckmin, para discutir os impactos e possíveis medidas de apoio.

Segundo Bebel, a ampliação das relações comerciais do Brasil com outros mercados também faz parte das estratégias para reduzir a dependência de determinados destinos de exportação.

Rio Piracicaba e meio ambiente

No trecho final da entrevista, o debate se voltou para o Rio Piracicaba e para os desafios ambientais enfrentados pelo município e pela região.

Bebel defendeu que o tema ambiental deixe de ficar restrito a especialistas e seja incorporado de maneira mais ampla ao debate público.

Toda a sociedade tem que debater, porque a nossa vida depende do rio, no caso, aqui em Piracicaba.

Para a professora, o rio ocupa uma posição que vai além da questão ambiental e está diretamente ligado à própria história da cidade.

O Rio Piracicaba é a nossa identidade.

Bebel também afirmou que Piracicaba possui potencial para avançar em uma agenda ligada ao clima, sustentabilidade e transição energética, aproveitando características econômicas, científicas e ambientais já presentes no município.

A entrevista completa com a professora Bebel, conduzida pelo jornalista Luís André Coelho, está disponível no YouTube e no Spotify do Canal Estado SP. O programa apresenta, na íntegra, as posições da entrevistada sobre educação, política estadual, economia, meio ambiente e os desafios de Piracicaba.

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