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Flávio Bolsonaro transforma 7 de Setembro em teste para 2026

Ato reúne aliados, religiosos e políticos em apoio à candidatura presidencial.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 8 de setembro de 2026, 17:20 — Em São Paulo

3 min de leitura
Flávio Bolsonaro transforma 7 de Setembro em teste para 2026
Flávio Bolsonaro transforma 7 de Setembro em teste para 2026

A Avenida Paulista se transformou, neste 7 de Setembro, em palco de mais uma demonstração de força da direita brasileira. Ao lado da esposa, Fernanda, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) chegou ao ato e cumprimentou os apoiadores do alto de um trio elétrico, diante de uma multidão que começou a ocupar a região ainda durante a tarde.

A mobilização teve início com um discurso da bispa Sonia Hernandes e contou, na sequência, com a participação da deputada federal Bia Kicis. Entre as autoridades presentes, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, também discursou e resumiu o tom político da manifestação ao afirmar que “Supremo é o povo brasileiro”.</b>

Mais do que uma celebração do 7 de Setembro, o evento foi organizado como uma demonstração política em defesa da candidatura de Flávio Bolsonaro e como um teste da capacidade de mobilização do bolsonarismo para a disputa eleitoral de 2026.

Convocados pelo PL e por lideranças políticas e religiosas alinhadas à direita, os manifestantes levaram à Paulista palavras de ordem como “Fora, Lula, Fora, Moraes” e “É agora ou nunca”. Nas redes sociais e materiais de divulgação, o partido adotou a mensagem “Vamos juntos resgatar o Brasil”.

A expectativa da organização era reunir pelo menos 100 mil pessoas. A concentração oficial estava prevista para as 15h, mas milhares de apoiadores já ocupavam a avenida desde o início da tarde.

O ato ocorreu em um momento considerado estratégico para Flávio Bolsonaro. O senador tenta consolidar seu nome como principal representante do campo bolsonarista na corrida presidencial e ampliar sua presença nacional em um cenário no qual aparece atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto.

Levantamento mais recente do Instituto Datafolha, divulgado na última quinta-feira (3), aponta Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 33%. Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois, Lula registra 46%, contra 44% do senador.

A manifestação também acontece em meio à repercussão de mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no escândalo envolvendo o Banco Master. O episódio ganhou ainda mais atenção após a divulgação de diálogos virtuais entre Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a quem o ex-banqueiro teria perguntado se deveria deixar o país dias antes de sua prisão, em novembro de 2025.</u></b>

Além da disputa pelo Palácio do Planalto, a mobilização na Paulista busca fortalecer candidaturas e pautas da direita no Congresso Nacional. A estratégia inclui dar visibilidade a nomes como André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), em São Paulo, e reforçar discursos favoráveis a pedidos de impeachment e ao enfrentamento político contra instituições e autoridades do país.

A presença de lideranças religiosas, parlamentares e representantes do poder público evidencia que o ato ultrapassa a dimensão de uma manifestação isolada. A Avenida Paulista volta a ser utilizada como espaço simbólico de disputa política, onde diferentes projetos de país buscam medir sua capacidade de mobilização popular.

O desafio que fica para o debate público é compreender até que ponto manifestações de massa representam apenas demonstrações legítimas de participação democrática ou se se transformam em instrumentos de aprofundamento da polarização. Em um país dividido por visões políticas cada vez mais antagônicas, a força das ruas pode ser um importante termômetro da democracia, mas também exige responsabilidade, diálogo e respeito às instituições. Afinal, o futuro do Brasil não será decidido apenas pelo tamanho das multidões, mas pela capacidade da sociedade de transformar divergências em debate democrático e participação consciente.

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