Haddad usa 7 de Setembro para atacar bolsonaristas e explorar tarifaço de Trump
Propaganda resgata falas sobre tarifaço de Trump e leva soberania à disputa por São Paulo.
Publicado em 8 de setembro de 2026, 11:18 — Em São Paulo

O Dia da Independência será transformado em peça central da disputa pelo governo de São Paulo. Na noite de segunda-feira (7), o candidato Fernando Haddad (PT) levou à televisão uma propaganda eleitoral que resgata declarações de lideranças bolsonaristas sobre o tarifaço imposto pelo governo Donald Trump ao Brasil e associa o episódio ao debate sobre soberania nacional.
A estratégia busca explorar um tema que ganhou dimensão econômica e política: os impactos das tarifas americanas sobre o Brasil e, especialmente, sobre São Paulo. A propaganda também destaca Piracicaba, no interior paulista, como uma das cidades mais afetadas pelo aumento das tarifas.
O programa utiliza o 7 de Setembro como ponto de partida para construir uma comparação entre a Independência do Brasil e o atual embate comercial com os Estados Unidos. No centro da narrativa, Haddad critica o que classifica como uma postura de submissão de lideranças brasileiras diante do governo norte-americano.</i>
“Mais de dois séculos depois, eles querem nos fazer ajoelhar de novo. Antes, diante de Portugal. Hoje, diante dos Estados Unidos. Mas com as mesmas traições: gente de dentro se vendendo aos de fora”, afirmou Haddad na propaganda.
A peça eleitoral recuperou declarações de nomes ligados ao bolsonarismo. Entre os trechos exibidos está uma fala do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual afirma que a “tarifa vai chegar ao Brasil”.</u>
Outro alvo da propaganda é o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), principal adversário político de Haddad na disputa paulista. O material resgata uma declaração de Tarcísio defendendo que o Brasil deveria “entregar algumas vitórias” a Trump como forma de buscar uma negociação em torno do tarifaço.
A escolha dos personagens não é por acaso. O grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro é a principal base de apoio de Tarcísio, e Haddad tenta transformar a crise comercial em um elemento de confronto direto com o campo adversário.</i>
Ao associar bolsonaristas ao tarifaço, o PT pretende reforçar a narrativa adotada desde o início da crise comercial e apresentar Haddad como defensor dos interesses nacionais e da economia paulista.
O argumento ganha peso eleitoral porque São Paulo aparece como o estado mais atingido pelas medidas anunciadas pelo governo Trump. A propaganda também busca regionalizar o debate ao destacar os possíveis reflexos para municípios do interior, entre eles Piracicaba.
A ofensiva de Haddad acompanha a estratégia nacional do PT. Neste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também colocou a defesa da soberania brasileira no centro das celebrações do 7 de Setembro, transformando a data em um contraponto político à pressão exercida pelos Estados Unidos.</i>
Assim, a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes ganha um novo ingrediente. Mais do que discutir tarifas e comércio exterior, a campanha de Haddad tenta transformar o tema em uma questão de identidade política: de um lado, a defesa da soberania nacional; do outro, a acusação de alinhamento e concessões ao governo americano.
A estratégia eleitoral, no entanto, abre espaço para uma discussão que vai além da disputa entre Haddad e seus adversários. Até que ponto a defesa da soberania nacional deve ser utilizada como instrumento de campanha? E como separar o legítimo debate sobre os interesses econômicos do país da exploração política de uma crise internacional?
O tarifaço e seus impactos mostram que decisões tomadas fora do Brasil podem atingir diretamente trabalhadores, empresas e cidades brasileiras. Por isso, o debate não deveria se limitar a quem lucra eleitoralmente com a crise, mas também às respostas concretas que o país e seus governantes são capazes de oferecer.</b>
No Dia da Independência, a discussão sobre soberania ganha um significado ainda mais profundo. Talvez a verdadeira independência, mais de dois séculos depois, não esteja apenas nos símbolos históricos, mas na capacidade do Brasil de defender seus interesses sem submissão e também sem transformar os desafios do país em simples armas de uma disputa eleitoral.




