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Nunes amplia articulação com Tarcísio e mira sucessão no Governo de São Paulo em 2030

Prefeito de São Paulo fortalece atuação nas campanhas de Tarcísio e Flávio Bolsonaro e trabalha para consolidar espaço na direita paulista antes da eleição de 2030

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 7 de setembro de 2026, 23:18 — Em São Paulo

7 min de leitura
Nunes amplia articulação com Tarcísio e mira sucessão no Governo de São Paulo em 2030
Nunes amplia articulação com Tarcísio e mira sucessão no Governo de São Paulo em 2030

A movimentação política do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), nas eleições de 2026 já começa a ser interpretada por aliados como parte de uma estratégia de longo prazo. Além de atuar pela reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Nunes ampliou sua participação na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República e passou a ocupar um espaço de destaque na articulação política do grupo que pretende chegar fortalecido às eleições de 2030.

Nos bastidores, o prefeito é apontado como um dos principais nomes para uma eventual disputa pelo Governo de São Paulo na sucessão de Tarcísio. Segundo relatos de aliados e interlocutores, Nunes trabalha com a possibilidade de disputar o Palácio dos Bandeirantes e conta, nesse cenário, com o apoio do atual governador.

O próprio Tarcísio já teria manifestado, em conversas reservadas, preferência pelo prefeito paulistano como nome para a sucessão estadual.

O caminho, entretanto, envolve alguns desafios. Um deles é o intervalo entre o fim do mandato de Nunes na Prefeitura de São Paulo, em 2028, e a eleição para o governo estadual, em 2030. Sem um cargo eletivo nesse período, o prefeito precisaria encontrar uma forma de permanecer politicamente ativo e em evidência para chegar à disputa com força.

Uma das possibilidades discutidas nos bastidores seria Nunes assumir uma secretaria no governo paulista após deixar a Prefeitura. Outra alternativa poderia surgir caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente: a ocupação de um ministério na eventual administração federal. Se nenhuma dessas hipóteses avançar, a estratégia terá de ser construída de outra maneira para preservar a influência política do prefeito.

Aproximação com Tarcísio ganhou força em 2024

A relação entre Nunes e Tarcísio se consolidou durante a eleição municipal de 2024. Naquele ano, o governador entrou diretamente na campanha pela reeleição do prefeito e teve participação importante para que Nunes avançasse ao segundo turno, em uma disputa na qual o ex-coach Pablo Marçal (PRTB) também buscava uma das vagas.

Dois anos depois, o grupo político de Nunes passou a atuar de maneira mais direta na campanha de Tarcísio. Integrantes do MDB ligados ao prefeito assumiram funções de mobilização e organização de eventos, ocupando parte do espaço que havia sido desempenhado pelo PSD e por Gilberto Kassab na campanha de 2022.

Entre os nomes envolvidos estão Vitor Arruda, secretário-executivo da Prefeitura, e Diogo Soares, secretário municipal de Habitação. Os dois foram colocados na coordenação de agendas na Grande São Paulo e integram o círculo de confiança do prefeito.

A atuação de Nunes, porém, não se limita à campanha estadual. O prefeito também passou a participar ativamente da construção da candidatura de Flávio Bolsonaro em São Paulo, movimento que, segundo aliados, tem sido até mais intenso do que a participação do próprio Tarcísio nesse campo.

Em agosto, Nunes acompanhou Flávio em compromissos na zona leste da capital, articulou encontros com empresários e lideranças locais e promoveu um almoço político que reuniu o candidato presidencial, Tarcísio, candidatos e dirigentes partidários.

Durante as articulações, o prefeito chegou a defender que candidatos a deputado apoiados pela coligação utilizassem nos materiais de campanha tanto o número de Tarcísio quanto o de Flávio Bolsonaro. Nunes também tem trabalhado para aproximar o candidato presidencial de vereadores e prefeitos da Grande São Paulo.

A mobilização se estende ao ato previsto para 7 de Setembro, na Avenida Paulista, que vem sendo tratado pelo grupo como um evento de campanha de Flávio. Nunes tem buscado ampliar a participação das bases políticas ligadas a vereadores e até a subprefeitos.

Movimento também mira o bolsonarismo

A aproximação de Nunes com a família Bolsonaro é vista por aliados como uma tentativa de ampliar seu espaço dentro da direita paulista e, ao mesmo tempo, antecipar possíveis disputas internas para 2030.

Uma das preocupações do grupo é a possibilidade de o PL lançar candidaturas próprias tanto para a Prefeitura de São Paulo, em 2028, quanto para o Governo do Estado, em 2030, especialmente em um eventual cenário de vitória de Flávio Bolsonaro para a Presidência.

Nesse contexto, Nunes estaria buscando se apresentar como uma das principais referências do bolsonarismo na capital paulista, reduzindo o espaço para uma candidatura concorrente dentro do próprio campo político.

Outro ponto de atenção para o grupo do prefeito é o futuro do vice-governador Felício Ramuth. A articulação conduzida por Tarcísio para a filiação de Ramuth ao MDB chamou a atenção de aliados de Nunes. Na época, o prefeito teria se manifestado contra a mudança quando consultado pelo presidente nacional da legenda, Baleia Rossi.

A preocupação está relacionada a um possível cenário em que Tarcísio deixe o governo paulista para disputar a Presidência em 2030. Nesse caso, Ramuth assumiria o comando do Estado e chegaria à eleição ocupando o cargo de governador, o que naturalmente poderia colocá-lo entre os nomes interessados na sucessão.

Segundo relatos de interlocutores, Nunes afirma que Ramuth teria se comprometido a não disputar contra ele caso o prefeito decida concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. O vice-governador, ainda de acordo com essas conversas, teria dito que priorizaria o projeto político de Tarcísio.

Sucessão de Nunes na Prefeitura também entra no cálculo

Para consolidar sua posição como principal nome do grupo para uma eventual disputa pelo Governo de São Paulo, Nunes também precisa demonstrar força política na sucessão municipal de 2028.

Por isso, integrantes de seu grupo político já são trabalhados para ocupar espaço na disputa pela Prefeitura. O nome que aparece com maior frequência é o do vereador Sidney Cruz (MDB), ex-secretário municipal de Habitação e atualmente em campanha para deputado federal.

Cruz disputa uma vaga na Câmara dos Deputados em uma dobradinha política com Regina Nunes, primeira-dama de São Paulo, que concorre a deputada estadual.

A aliados, Nunes aponta semelhanças entre sua própria trajetória e a de Cruz. O vereador também tem origem na periferia da zona sul e construiu sua carreira política até chegar à Câmara Municipal, onde exerceu funções relacionadas ao orçamento da cidade em diferentes anos.

Outro nome citado dentro do grupo é Fabrício Cobra, secretário de Subprefeituras e integrante da equipe de confiança do prefeito. A avaliação de aliados, entretanto, é de que Cobra possui um perfil mais voltado à gestão pública do que à disputa eleitoral.

Há ainda outra possibilidade sendo discutida nos bastidores: uma eventual candidatura do ex-governador Rodrigo Garcia à Prefeitura de São Paulo em 2028. Garcia ingressou no Republicanos no ano passado e se aproximou politicamente de Tarcísio ao longo do mandato.

Tarcísio amplia alianças de olho em 2030

Enquanto Nunes trabalha para fortalecer sua posição na capital, Tarcísio também constrói uma ampla rede política que pode ser importante para seus próximos projetos eleitorais.

Na campanha pela reeleição ao governo paulista, o governador conseguiu reunir um arco partidário mais amplo do que o construído por Flávio Bolsonaro em sua candidatura presidencial, que conta oficialmente apenas com o PL em sua coligação.

A aliança de Tarcísio reúne Republicanos, PL, MDB, Democrata, Avante, PSD, PRD, Solidariedade, União Brasil e PP. Além dessas siglas, o governador mantém proximidade política com Podemos, PSDB, Cidadania, Novo e Missão.

Durante o início da campanha, Tarcísio participou de eventos de candidatos de diferentes partidos aliados e escolheu uma agenda do ex-prefeito de Osasco Rogério Lins para marcar sua largada oficial. Lins também já ocupou o cargo de secretário de Esportes de Ricardo Nunes.

Osasco é considerada estratégica dentro dessa articulação. Na eleição municipal de 2024, Gérson Pessoa foi eleito prefeito com uma ampla aliança que reuniu 17 partidos, estrutura que passou a ser vista como importante para a mobilização política na Grande São Paulo.

A estratégia adotada pelo governador se repete em outras regiões do Estado, com a aproximação de prefeitos, vereadores e lideranças locais.

A construção dessa rede, além de fortalecer a atual campanha de Tarcísio, também pode servir de base para uma eventual candidatura presidencial em 2030.

Nesse cenário, a movimentação conjunta de Tarcísio e Nunes ganha um peso que vai além da eleição de 2026. Enquanto o governador amplia sua rede de alianças e mantém aberta a possibilidade de novos projetos eleitorais, o prefeito busca consolidar seu espaço na direita paulista e se preparar para uma eventual disputa pelo Governo de São Paulo em 2030.

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