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Flávio Bolsonaro lidera em 5 dos 10 estados com menor extrema pobreza

Flávio lidera em Goiás, SC, MS, PR e MT; Lula aparece à frente em MG e PI.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 18 de setembro de 2026, 12:00 — Em São Paulo

3 min de leitura
Flávio Bolsonaro lidera em 5 dos 10 estados com menor extrema pobreza
Flávio Bolsonaro lidera em 5 dos 10 estados com menor extrema pobreza

A fotografia da disputa presidencial de 2026 apresenta diferenças importantes quando cruzada com os indicadores sociais mais recentes das unidades da Federação. Entre os dez estados com as menores proporções de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza, Flávio Bolsonaro (PL) aparece na liderança das intenções de voto em cinco. Lula (PT) está à frente em dois, enquanto os dois candidatos aparecem tecnicamente empatados em outros três.

O cruzamento considera as pesquisas eleitorais mais recentes disponíveis em cada estado e os dados de extrema pobreza divulgados pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) em 17 de setembro. O levantamento eleitoral foi realizado a partir dos estudos mais recentes de institutos considerados relevantes em cada unidade da Federação.

O cenário é distribuído de maneira regional. Flávio aparece numericamente à frente em Goiás, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Paraná e Mato Grosso. Lula lidera em Minas Gerais e no Piauí. Já Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Espírito Santo apresentam empate técnico entre os dois.

O que mostram os indicadores sociais

Os números do Imds fazem parte de um panorama que reúne indicadores econômicos e sociais das 27 unidades federativas. A análise considera áreas como pobreza, distribuição de renda, educação, mercado de trabalho, saúde, segurança, habitação e atividade econômica.

No recorte específico da extrema pobreza, os estados com os menores percentuais estão concentrados principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Na outra extremidade, os maiores índices estão concentrados no Norte e no Nordeste.

A distribuição, entretanto, não significa que exista uma relação direta entre o nível de extrema pobreza de um estado e a preferência de seus eleitores. O cruzamento mostra uma coincidência entre dois conjuntos de dados, mas não permite concluir, isoladamente, que uma condição social determine o voto em determinado candidato.

Essa distinção é relevante porque a própria realidade dos estados é mais complexa do que um único indicador. O levantamento do Imds reúne 228 indicadores e procura observar não apenas a posição atual de cada unidade federativa, mas também sua trajetória ao longo dos anos.

Um mapa eleitoral em movimento

O recorte sobre extrema pobreza também deve ser analisado dentro do quadro mais amplo da eleição. Levantamentos recentes mostram uma distribuição regional diferente das preferências eleitorais: Lula concentra lideranças no Nordeste, enquanto Flávio apresenta vantagem em diversos estados do Sul e do Centro-Oeste.

Por isso, os dados sociais acrescentam uma camada à leitura da disputa, mas não explicam sozinhos o comportamento eleitoral. Questões econômicas, políticas, regionais, avaliações de governo e características específicas de cada eleitorado também fazem parte desse cenário.

Os números colocam perguntas para a campanha

Com a aproximação das eleições, indicadores como extrema pobreza podem ganhar espaço no debate sobre quais políticas públicas devem ser priorizadas nos próximos anos.

Mais do que apontar uma relação automática entre condição social e voto, os dados permitem levantar questões: quais políticas contribuíram para a redução da extrema pobreza nos estados que apresentam os menores índices? Os resultados têm sido sustentáveis ao longo do tempo? Quais propostas dos candidatos tratam diretamente das diferenças regionais de renda e oportunidades? E como os eleitores avaliam a relação entre os indicadores sociais de seus estados e as propostas apresentadas na campanha presidencial?

A resposta a essas perguntas depende não apenas dos números atuais, mas também das políticas adotadas, de seus resultados e das prioridades que estarão em discussão durante a eleição de 2026.

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