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Milton Leite é alvo de operação que investiga infiltração do PCC no transporte de São Paulo

Ex-presidente da Câmara Municipal é alvo de mandado de prisão em investigação que apura atuação do crime organizado em empresas de ônibus.

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 17 de setembro de 2026, 09:01 — Em São Paulo

4 min de leitura
Milton Leite é alvo de operação que investiga infiltração do PCC no transporte de São Paulo
Milton Leite é alvo de operação que investiga infiltração do PCC no transporte de São PauloFoto: Lucas Bassi/Rede Câmara

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é um dos alvos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada hoje, quinta-feira dia 17, pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A ação investiga a possível infiltração do Primeiro Comando da Capital em empresas de transporte coletivo da capital.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pelos veículos que acompanham a operação, a investigação aponta que o PCC teria influência sobre 12 das 22 empresas de transporte público da cidade, utilizando representantes e pessoas apontadas como laranjas. A apuração também envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e de utilização de recursos para financiamento de campanhas políticas.

Milton Leite é alvo de mandado de prisão. Ele não foi localizado no início da operação e, em declaração, negou qualquer ligação com o PCC. O ex-vereador afirmou que não está foragido e disse que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas. Segundo ele, estava no interior de São Paulo por compromissos pessoais e relacionados à campanha dos filhos.

Relação investigada com a Transwolff

Uma das empresas envolvidas nas investigações é a Transwolff, que já havia sido alvo de apurações relacionadas à atuação do PCC no transporte coletivo.

A investigação aponta Milton Leite como suposto proprietário de fato da empresa, acusação que ele nega. A relação do ex-vereador com a companhia também aparece em depoimentos e outros elementos reunidos pelas autoridades.

Em fevereiro de 2026, o segundo-sargento da Polícia Militar Alexandre Aleixo Romano Cezário afirmou, em depoimento à Corregedoria da corporação, que Milton Leite seria o verdadeiro proprietário da Transwolff e que os demais dirigentes atuariam como intermediários.

O policial também mencionou o capitão Alexandre Paulino Vieira, que teria trabalhado como segurança de Milton Leite. Conforme o depoimento, o oficial teria passado a coordenar equipes de segurança ligadas a dirigentes da Transwolff por intermédio do então presidente da Câmara.

O próprio depoimento, porém, registra que Cezário dizia ter ouvido a informação sobre Milton Leite ser proprietário da empresa e que não poderia comprová-la.

Milton Leite já havia negado anteriormente a acusação. Ele afirmou não conhecer o segundo-sargento, negou ser proprietário da Transwolff e declarou ter colocado voluntariamente à disposição do Ministério Público seus sigilos bancário, fiscal e telefônico quando acusações semelhantes surgiram.

Nesta quinta-feira, voltou a negar envolvimento com o PCC e afirmou que nunca foi proprietário de empresa de transporte.

Quem é Milton Leite

Milton Leite construiu uma trajetória de 27 anos na Câmara Municipal de São Paulo. Ele chegou ao Legislativo paulistano em 1997 e permaneceu no cargo até 2024, quando encerrou uma sequência de sete mandatos.

Sua principal base política foi construída na Zona Sul da capital, especialmente no Grajaú. Nas eleições municipais de 2020, recebeu 132.716 votos e foi o segundo vereador mais votado da cidade.

Leite também ocupou a presidência da Câmara Municipal em diferentes períodos. Em dezembro de 2022, foi novamente eleito para comandar a Casa, com 47 dos 55 votos dos vereadores.

Durante a carreira política, também assumiu interinamente a Prefeitura de São Paulo por cerca de cem dias.

Em 2024, anunciou que não disputaria uma nova eleição para vereador. Na época, afirmou que pretendia deixar a vida pública e dedicar mais tempo à família, à saúde e aos negócios.

Mesmo fora da Câmara, continuou exercendo influência política. Em dezembro de 2024, indicou o vereador Ricardo Teixeira, do União Brasil, para disputar a presidência da Câmara. Teixeira foi eleito para comandar a Casa em janeiro de 2025.

Leite também passou a ocupar posição de comando partidário em São Paulo. Atualmente, segundo o UOL, preside a federação União-PP no estado.

A família também possui representantes na política. Milton Leite Filho é deputado estadual e Alexandre Leite é deputado federal, ambos pelo União Brasil.

Ligação com o carnaval

Além da trajetória política, Milton Leite mantém ligação com o carnaval paulistano. Ele é presidente de honra da Estrela do Terceiro Milênio, escola de samba do Grajaú, da qual ele e os filhos são patronos.

A agremiação chegou ao Grupo Especial do carnaval de São Paulo em 2023, após vencer o Grupo de Acesso no ano anterior.

Operação Vectura Corrupta

A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento das investigações sobre a presença do crime organizado no sistema de transporte coletivo de São Paulo.

A apuração busca esclarecer como empresas do setor teriam sido utilizadas para movimentação de recursos e outros interesses ligados ao crime organizado. Também estão sob investigação possíveis relações com agentes públicos e financiamento de campanhas políticas.

Além de Milton Leite, outros nomes ligados ao setor de transporte e à administração pública estão entre os alvos da operação.

As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam, por si só, uma condenação. Milton Leite nega qualquer ligação com o PCC, rejeita a acusação de ser proprietário da Transwolff e afirma que pretende se apresentar às autoridades.

A investigação segue em andamento e poderá ter novos desdobramentos ao longo das próximas etapas.

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