Ministra Cármen Lúcia relata "tristeza", diz se sentir "envergonhada" e aponta "mal-estar cívico" provocado pelo STF
Em forte desabafo durante sessão, ministra criticou o protagonismo da Corte a menos de 20 dias das eleições e cobrou mais rigor e serenidade do tribunal.
Publicado em 16 de setembro de 2026, 14:22 — Em São Paulo

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, fez um duro desabafo durante sessão da Corte, expressando "profunda consternação e tristeza" com o recente protagonismo do tribunal. Em uma fala na qual ressaltou estar se manifestando exclusivamente em nome próprio, a magistrada afirmou que as recentes ações do STF provocaram um "mal-estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros".
"Hoje, um dos colegas me dizia se eu estava aborrecida com alguma coisa, e eu disse: eu estou triste", relatou a ministra logo no início de seu pronunciamento. Ela destacou que sua preocupação ultrapassa os temas específicos em pauta, focando na imagem e no impacto da atuação do tribunal — guardião da Constituição — perante a sociedade.
O momento mais contundente do discurso ocorreu ao contextualizar a proximidade do pleito eleitoral no país:
“"Eu me sinto um pouco até envergonhada, Presidente, de, num momento em que o Brasil está a menos de 20 dias da eleição, estarem todos voltados a questões do Supremo", declarou Cármen Lúcia, dirigindo-se à presidência da Corte.
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A ministra reconheceu que os temas tratados pelo tribunal envolvem questões graves e de grande apelo processual, mas fez uma autocrítica direta sobre a postura do Judiciário neste período sensível:
“"Nós não garantimos o rigor e a serenidade, que no meu papel de cidadã e de juíza, eu deveria ter, talvez, ajudado mais a promover", concluiu.
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