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STF suspende análise sobre investigação de Moraes após pedido de vista de Dino

Ministros divergiram sobre a condução do caso e a inclusão de questões envolvendo André Mendonça.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 16 de setembro de 2026, 10:34 — Em São Paulo

2 min de leitura
STF suspende análise sobre investigação de Moraes após pedido de vista de Dino
STF suspende análise sobre investigação de Moraes após pedido de vista de Dino

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou nesta terça-feira (15.set.2026), sem uma decisão definitiva, a sessão que analisava a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por sua suposta relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso no âmbito das investigações sobre fraudes envolvendo a instituição. O julgamento foi suspenso após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

O pedido ocorreu depois de horas de discussão sobre uma questão preliminar que acabou deslocando o centro do julgamento. Antes de os ministros analisarem diretamente os elementos relacionados a Moraes, o decano da Corte, Gilmar Mendes, defendeu que também fossem examinadas as medidas adotadas pelo ministro André Mendonça na condução do caso Banco Master.</u>

Mendes havia proposto que os dois assuntos fossem analisados conjuntamente, com a retomada do julgamento em 23 de setembro. A proposta gerou divergências no plenário e deu início a uma discussão sobre o rito adotado no caso, a relatoria dos processos e a possibilidade de reunir as diferentes controvérsias relacionadas ao Banco Master.

A discussão ganhou contornos ainda mais tensos quando Gilmar Mendes questionou a atuação de Mendonça e afirmou haver, em sua avaliação, um viés político-eleitoral na condução do caso. Mendonça reagiu e pediu que o colega não lhe apontasse o dedo. As acusações foram feitas durante uma sessão que, pela primeira vez, analisava a possibilidade de investigação criminal de um integrante do próprio STF.

Outro ponto de divergência foi a decisão sobre reunir ou separar os casos. O presidente do STF, Edson Fachin, defendia a análise separada, enquanto outros ministros sustentavam que as questões estavam relacionadas. Ao longo da sessão, formou-se uma divisão no plenário sobre o tema.

A controvérsia envolve, de um lado, o relatório produzido pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro. O material reúne mensagens atribuídas ao ex-banqueiro e um interlocutor identificado como Moraes. A defesa do ministro nega irregularidades e questiona a legalidade do relatório.</i>

De outro lado, ministros questionam a própria condução da investigação por Mendonça. Moraes apresentou pedido para que a atuação do colega também fosse investigada, e Fachin marcou a análise desse pedido para 23 de setembro.

O pedido de vista de Dino interrompeu a votação. Pelo regimento do Supremo, o ministro que pede vista dispõe de prazo para analisar o processo antes de devolvê-lo ao plenário. A suspensão, portanto, mantém em aberto tanto a decisão sobre a eventual investigação de Moraes quanto a controvérsia sobre a condução do caso por Mendonça.

A sessão desta terça expôs, assim, uma disputa que ultrapassa a análise de mensagens e documentos relacionados ao Banco Master: os ministros também divergiram sobre os limites da atuação de relatores, a forma de distribuição e condução dos processos e o momento adequado para que a Corte examine acusações envolvendo seus próprios integrantes.

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