PF cumpre 49 mandados em investigação sobre filme de Bolsonaro
Apuração investiga recursos usados na produção do filme.
Publicado em 11 de setembro de 2026, 11:14 — Em São Paulo

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (10), uma operação para investigar suspeitas envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, produção que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão.
Entre os alvos da operação estão a produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Agentes da PF também realizam buscas em duas entidades ligadas à produtora: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).</b>
A investigação está sob a relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O procedimento teve origem em São Paulo, mas acabou sendo remetido à Corte.
O caso faz parte de um conjunto de duas investigações que tramitam no STF e têm relação com o financiamento de Dark Horse. No inquérito conduzido por Flávio Dino, a apuração está concentrada na possível utilização irregular de emendas parlamentares e de recursos públicos destinados a entidades e empresas ligadas à produção do filme.</i>
Já uma segunda investigação, sob a relatoria do ministro André Mendonça, analisa os repasses realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso. Nesse caso, os investigadores buscam esclarecer transferências que teriam sido feitas a pedido do senador Flávio Bolsonaro, além de rastrear o destino e o percurso dos recursos.
De acordo com a Polícia Federal, há indícios da atuação de uma suposta organização criminosa formada por agentes públicos e privados. A suspeita é de que recursos destinados a uma organização da sociedade civil tenham sido direcionados posteriormente a empresas subcontratadas de forma irregular.
Segundo os investigadores, também há questionamentos sobre a efetiva prestação dos serviços contratados, já que parte das despesas sob análise não teria comprovação suficiente de execução.
A operação amplia o debate sobre a fiscalização do dinheiro público, o uso de emendas parlamentares e os mecanismos de controle sobre recursos destinados a organizações e projetos culturais. Ao mesmo tempo, o caso chama atenção para uma questão que ultrapassa os nomes envolvidos: quais são os limites e as responsabilidades na destinação de verbas públicas para iniciativas privadas, culturais ou audiovisuais?</u>
Com as investigações ainda em andamento, caberá à Justiça analisar as provas e definir eventuais responsabilidades. Mas o episódio já coloca um tema importante no centro do debate público: como garantir transparência, fiscalização e critérios claros para que recursos públicos não sejam desviados de sua finalidade?




