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Lula diz na ONU que Brasil não cederá a pressões sobre o Pix

Presidente defendeu o sistema de pagamentos e a soberania brasileira durante discurso em Nova York.

NY
Nicolle Yaeko

Publicado em 22 de setembro de 2026, 13:53 — Em São Paulo

3 min de leitura
Lula diz na ONU que Brasil não cederá a pressões sobre o Pix
Lula diz na ONU que Brasil não cederá a pressões sobre o Pix

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22), durante a abertura do debate da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, que o Brasil não pretende ceder ao que classificou como pressões de empresas estrangeiras envolvendo o Pix.

“Não vamos ceder às pressões de multinacionais, que querem privatizar o nosso Pix”, declarou Lula. O presidente definiu o sistema como uma infraestrutura pública e gratuita de pagamentos que contribuiu para ampliar a inclusão financeira de milhões de brasileiros.

A declaração ocorre em meio às divergências comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que incluem justamente o setor de pagamentos eletrônicos.

Em julho de 2025, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abriu uma investigação contra práticas adotadas pelo Brasil em áreas como comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas, propriedade intelectual, etanol e combate ao desmatamento ilegal.

Em junho deste ano, o USTR concluiu que determinadas políticas brasileiras seriam, na avaliação do governo americano, prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos. No caso dos pagamentos eletrônicos, o órgão afirmou que o Brasil teria favorecido seu sistema nacional em detrimento de empresas americanas concorrentes.

Apesar da declaração de Lula sobre uma tentativa de “privatizar” o Pix, os documentos divulgados pelo governo americano não apresentam explicitamente uma exigência para que o sistema seja privatizado. A manifestação do USTR concentra-se na alegação de tratamento desfavorável às empresas americanas que competem no mercado brasileiro de pagamentos.

A disputa comercial avançou em julho de 2026, quando os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, como resposta às conclusões da investigação realizada com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

Soberania também marcou discurso

O Pix foi apenas um dos temas abordados por Lula no discurso. O presidente dedicou parte de sua fala à defesa da soberania nacional e afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas em suas decisões.

Ao tratar das relações internacionais e da América Latina, Lula declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, além de defender o multilateralismo e a atuação diplomática na resolução de conflitos.

Lula também abordou temas como inteligência artificial, atuação das grandes empresas de tecnologia, apostas on-line, democracia, mudanças climáticas, crime organizado e os conflitos internacionais.

Na área tecnológica, defendeu maior regulamentação das big techs e mecanismos internacionais de governança para o desenvolvimento e uso da inteligência artificial.

No cenário internacional, o presidente voltou a defender reformas nos organismos multilaterais, especialmente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, e tratou dos conflitos em Gaza e na Ucrânia, além da situação de países latino-americanos.

Brasil abre os discursos

Lula foi o primeiro chefe de Estado a discursar no debate geral da Assembleia das Nações Unidas nesta terça-feira. A participação do Brasil na abertura dos pronunciamentos é uma tradição mantida há décadas na ONU.

A 81ª Assembleia Geral reúne representantes dos 193 Estados-membros em Nova York. O debate geral começou nesta terça-feira, 22 de setembro, com discursos de chefes de Estado e de governo sobre os principais temas da agenda internacional.

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