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Luiza Erundina e Eduarda Campopiano serão a deputada mais velha e a mais jovem da ALESP em 2027

Eleitas nas eleições desse ano, parlamentares representam extremos de idade na Assembleia Legislativa de São Paulo. Erundina tem 91 anos e retorna à ALESP após 40 anos, enquanto Eduarda, de 23, foi a candidata mais votada para deputada estadual.

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 5 de outubro de 2026, 14:16 — Em São Paulo

4 min de leitura
Luiza Erundina e Eduarda Campopiano serão a deputada mais velha e a mais jovem da ALESP em 2027
Foto: Reprodução/Instagram

A próxima composição da Assembleia Legislativa de São Paulo terá um contraste de gerações que chama atenção. Eleitas nas eleições deste domingo, dia 04, Luiza Erundina (PSOL), de 91 anos, e Eduarda Campopiano (PL), de 23, serão, respectivamente, a deputada mais velha e a mais jovem da Casa a partir de 2027.

A diferença de idade entre as duas parlamentares chega a 68 anos e também representa trajetórias políticas bastante distintas. Enquanto Erundina acumula décadas de atuação na vida pública, Eduarda chega à Assembleia em seu primeiro mandato estadual, depois de ganhar projeção principalmente pelas redes sociais.

Luiza Erundina retorna à ALESP após quatro décadas

Aos 91 anos, Luiza Erundina foi eleita deputada estadual com 169.567 votos e voltará a ocupar uma cadeira na ALESP depois de 40 anos.

A política tem uma longa trajetória no Legislativo e no Executivo. Atualmente, está em seu sétimo mandato consecutivo como deputada federal e também já foi vereadora, deputada estadual e prefeita de São Paulo.

Em 1988, Erundina foi eleita prefeita da capital paulista, tornando-se uma das principais figuras da política brasileira.

Natural de Uiraúna, no sertão da Paraíba, Erundina é formada em Serviço Social pela Universidade Federal da Paraíba. Depois, concluiu mestrado em Ciências Sociais em São Paulo.

No início da década de 1970, chegou a iniciar uma trajetória acadêmica como professora do Departamento de Ciências Sociais da UFPB. No entanto, sua atuação como militante ligada à causa camponesa durante o regime militar interferiu em seus planos profissionais.

Considerada uma ameaça pela ditadura militar, teve o ingresso como professora da universidade impedido pelos militares e precisou se mudar para São Paulo. Na capital, construiu sua trajetória política, passando pela Câmara Municipal, pela Assembleia Legislativa, pela Prefeitura e pela Câmara dos Deputados.

Agora, 40 anos depois de seu primeiro período na ALESP, Erundina retorna à Assembleia para a legislatura que começa em 2027.

Eduarda Campopiano é a deputada estadual mais jovem e mais votada de 2026

Se Erundina representa a experiência política, Eduarda Campopiano chega à Alesp como símbolo de uma nova geração.

Aos 23 anos, a vereadora de Praia Grande foi eleita deputada estadual pelo PL com 1.956.238 votos, tornando-se a candidata mais votada para a ALESP nas eleições de 2026.

A votação também colocou Eduarda entre os maiores desempenhos eleitorais da história de São Paulo. Ela ficou atrás apenas de Janaína Paschoal, que recebeu cerca de 2 milhões de votos na eleição de 2018.

Nascida em Campinas, em 22 de julho de 2003, Eduarda entrou na política eleitoral em 2024. Naquele ano, foi eleita vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, com 3.583 votos.

Aos 21 anos, quando tomou posse, tornou-se uma das parlamentares mais jovens da história recente da Câmara Municipal da cidade.

Filiada ao Partido Liberal, Eduarda construiu sua projeção política principalmente por meio das redes sociais e de posicionamentos voltados ao eleitorado conservador.

Durante a campanha para deputada estadual em 2026, defendeu pautas relacionadas à família tradicional, à vida desde a concepção e à presença de princípios cristãos na política. Também se posicionou contra pautas progressistas, o feminismo contemporâneo e o que classifica como “cultura woke”.

PL amplia bancada na Assembleia Legislativa de São Paulo

O desempenho de Eduarda também ocorreu em meio ao crescimento do PL na Assembleia Legislativa de São Paulo.

O partido foi o principal vencedor da disputa pelas cadeiras da ALESP e elegeu 28 deputados estaduais, quase um terço das 94 vagas da Casa.

O resultado acompanha o fortalecimento do grupo político que integra a base do governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Somadas as bancadas de PL, PSD, União Brasil, Podemos, PP, Republicanos e MDB, foram eleitos 63 dos 94 deputados estaduais.

A composição deve garantir ao governo estadual uma base ampla na Assembleia durante os próximos quatro anos, com potencial para facilitar a aprovação de projetos e a condução da agenda do Palácio dos Bandeirantes.

Na oposição, o PT terá a segunda maior bancada da ALESP, com 15 deputados eleitos. O resultado representa duas cadeiras a menos em comparação com a atual legislatura.

O partido teve como um dos principais destaques Eduardo Suplicy, que terminou a eleição como o segundo deputado estadual mais votado do estado.

Mais de 7,6 milhões não compareceram às urnas

A eleição para a Assembleia Legislativa também foi marcada pelo número de eleitores que deixaram de votar.

São Paulo registrou aproximadamente 23,2 milhões de votos válidos, além de cerca de 3 milhões de votos brancos e nulos.

Já as abstenções ultrapassaram 7,6 milhões de eleitores, o equivalente a aproximadamente 22,5% dos 34,1 milhões de eleitores aptos a votar no estado.

Com a definição das 94 cadeiras, a ALESP que começa em 2027 terá uma composição marcada tanto pela força das bancadas alinhadas ao governo estadual quanto pela presença de diferentes gerações.

Aos 91 anos, Luiza Erundina retorna ao Legislativo paulista após quatro décadas. Aos 23, Eduarda Campopiano inicia sua trajetória na Assembleia depois de conquistar a maior votação entre os candidatos a deputado estadual em São Paulo nas eleições de 2026.

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