Ibovespa despenca 13,88% e registra maior queda desde 2020
Principal índice da Bolsa brasileira fechou aos 176.608 pontos após dia de forte turbulência, com acionamento do circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020
Publicado em 26 de outubro de 2026, 21:07 — Em São Paulo

O Ibovespa encerrou esta segunda-feira (26) em forte queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, no pior desempenho diário da Bolsa brasileira desde março de 2020.
O pregão foi marcado por intensa volatilidade desde a abertura. No pior momento do dia, o índice chegou a recuar 17,34%, atingindo 169.516,43 pontos. A máxima da sessão foi de 205.088,74 pontos.
A forte movimentação ocorreu no primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais, em meio a uma ampla reprecificação dos ativos brasileiros e à revisão das expectativas dos investidores para o cenário econômico e fiscal dos próximos anos.
Circuit breaker interrompe negociações
Logo no início do pregão, a queda do Ibovespa levou a B3 a acionar o chamado circuit breaker, mecanismo utilizado em momentos de movimentos extremos do mercado.
As negociações de ações e de diversos outros ativos foram suspensas por 30 minutos. Segundo a B3, o mecanismo tem como referência a variação do Ibovespa e busca permitir uma reorganização das ordens de compra e venda em momentos de forte estresse.
Foi a primeira vez que o circuit breaker foi acionado desde março de 2020, período marcado pelo início da pandemia de Covid-19 e por forte turbulência nos mercados financeiros globais.
Desde que o mecanismo foi criado, em 1997, ele já foi utilizado em episódios como a crise asiática, a desvalorização do real em 1999, a crise financeira internacional de 2008 e a pandemia em 2020.
Mercado reagiu ao novo cenário
A sessão desta segunda-feira refletiu uma mudança rápida no posicionamento dos investidores após o resultado eleitoral.
Parte do mercado estava posicionada para um cenário político diferente antes do segundo turno, o que contribuiu para uma forte correção dos preços de ações, do câmbio e dos juros futuros após a confirmação do resultado.
Além da Bolsa, o dólar também registrou forte valorização e encerrou o dia próximo de R$ 5,40.
A combinação entre queda das ações, alta do dólar e elevação das taxas de juros negociadas no mercado mostrou um aumento da percepção de risco entre os investidores.
Volume financeiro dispara
O volume financeiro negociado na sessão chegou a aproximadamente R$ 88,6 bilhões, cerca de três vezes a média diária do mercado, segundo dados divulgados após o fechamento.
O aumento expressivo do volume evidencia a intensidade do reposicionamento realizado por investidores ao longo do pregão.
Mesmo após a interrupção das negociações, o Ibovespa continuou registrando perdas significativas durante a sessão, embora tenha recuperado parte da queda observada nas mínimas do dia.
Impacto para empresas e investidores
Movimentos dessa magnitude na Bolsa podem afetar tanto investidores quanto empresas listadas.
A queda das ações reduz temporariamente o valor de mercado das companhias negociadas na B3 e também pode aumentar a cautela de empresas que estudam captar recursos ou realizar operações no mercado de capitais.
Para investidores, períodos de volatilidade elevada costumam representar maior risco de oscilações rápidas nos preços dos ativos.
O impacto sobre a economia real, entretanto, depende da duração desse movimento. Um único pregão, mesmo com uma queda histórica, não permite determinar sozinho uma mudança permanente nas condições econômicas.
Nos próximos dias, o mercado deverá acompanhar principalmente novas sinalizações sobre política econômica, trajetória das contas públicas, inflação e juros para avaliar se a turbulência desta segunda-feira será pontual ou se continuará influenciando os preços dos ativos brasileiros.




