Lula cresce em todo o Brasil e ganha 10,3 milhões de votos no segundo turno
São Paulo lidera em votos adicionais, e Goiás em crescimento proporcional.
Publicado em 26 de outubro de 2026, 15:27 — Em São Paulo

A votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cresceu em todas as unidades da Federação entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial de 2026. O presidente reeleito acrescentou cerca de 10,3 milhões de votos ao resultado da primeira etapa, passando de 53,7 milhões para aproximadamente 64 milhões de votos, sem considerar os brasileiros que votaram no exterior.
O avanço ocorreu nos 26 estados e no Distrito Federal, embora com diferenças significativas entre as regiões. São Paulo concentrou o maior aumento em números absolutos, enquanto Goiás se destacou proporcionalmente, indicando que a expansão da votação petista não ficou restrita a uma única área do país.
No maior colégio eleitoral brasileiro, Lula passou de aproximadamente 9,5 milhões de votos no primeiro turno para 12,1 milhões no segundo, um acréscimo de cerca de 2,6 milhões. Minas Gerais aparece na sequência, com mais 1,1 milhão de votos, seguido pelo Rio de Janeiro, onde o presidente ampliou sua votação em 872.372 eleitores.
Bahia e Pernambuco completam a lista dos cinco estados com os maiores avanços absolutos. O desempenho nesses territórios contribuiu para ampliar o total nacional do petista e reforça a importância de analisar a disputa a partir das diferenças regionais, tanto em volume de votos quanto em proporção de crescimento.
Quando o critério é o avanço percentual em relação ao primeiro turno, Goiás ocupa a primeira posição, com crescimento de 33,37%. O indicador permite observar a variação da votação em relação à base inicial de cada estado, oferecendo uma perspectiva diferente daquela obtida apenas pela contagem absoluta de novos votos.
Na outra ponta, Roraima, Acre e Amapá registraram os menores acréscimos absolutos. Isso não significa necessariamente que tenham apresentado os menores crescimentos proporcionais, já que o tamanho do eleitorado e a votação inicial influenciam diretamente a comparação entre as unidades da Federação.
Considerando o resultado nacional informado, Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos. A diferença entre os dois candidatos foi de 4.430.191 votos, em uma disputa que terminou com vantagem do petista.
Os números mostram a ampliação da votação de Lula na etapa decisiva, mas a variação entre os turnos, isoladamente, não explica os motivos de cada eleitor ter escolhido um candidato. A transferência de votos de candidaturas eliminadas, a participação eleitoral e as decisões de quem não havia definido sua preferência no primeiro turno são fatores que precisam ser considerados em uma análise mais aprofundada.
O que a expansão da votação revela sobre o eleitorado brasileiro?
O crescimento registrado em todas as unidades da Federação abre espaço para discutir como se comportou o eleitorado na etapa final da eleição. A distribuição dos votos oferece pistas sobre a dimensão nacional da disputa, mas não permite concluir, por si só, que houve uma mudança uniforme nas preferências políticas dos brasileiros.
Também é importante distinguir crescimento absoluto de crescimento proporcional. Estados com eleitorados maiores podem acrescentar milhões de votos sem apresentar a maior variação percentual, enquanto unidades menores podem registrar aumentos expressivos proporcionalmente, mesmo com um número mais limitado de novos votos.
O resultado convida, ainda, a uma reflexão sobre a pluralidade política do país. A ampliação da votação presidencial em diferentes regiões não elimina as divergências entre os eleitores nem significa que todos os grupos sociais compartilhem as mesmas expectativas em relação ao novo mandato.
A questão que permanece é: o avanço de Lula em todo o território nacional representa principalmente a consolidação de sua base eleitoral, a conquista de novos apoios ou uma combinação dos dois movimentos? Para responder, será necessário cruzar os resultados por município e região com pesquisas de opinião e dados sobre o comportamento eleitoral. Mais do que celebrar ou contestar os números, compreender o que levou milhões de brasileiros a mudar ou manter sua escolha é fundamental para qualificar o debate público e fortalecer a democracia.




