Justiça italiana decide nesta terça-feira sobre extradição de Carla Zambelli
Audiência trata da pena de 5 anos e 3 meses por perseguição armada durante as eleições de 2022; ex-deputada tem outra condenação definitiva de 10 anos e 8 meses no Brasil.
Publicado em 26 de outubro de 2026, 14:55 — Em São Paulo

A Justiça italiana deve decidir amanhã, terça-feira dia 27, se autoriza a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. O pedido do governo brasileiro está relacionado à condenação a 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, no caso em que ela perseguiu um homem e apontou uma arma para ele em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
A audiência está prevista para as 11h30, no horário local, e será conduzida pela Primeira Seção Penal do tribunal italiano. Segundo a defesa da ex-parlamentar, a sessão havia sido anunciada inicialmente para quinta-feira, dia 29, mas houve um erro de comunicação sobre a data.
Os magistrados italianos não vão reavaliar o mérito da condenação imposta no Brasil. A análise ficará concentrada nos requisitos previstos pela legislação italiana e pelos tratados internacionais que regulamentam os processos de extradição.
Julgamento já havia sido adiado
A sessão estava inicialmente marcada para 27 de setembro, mas foi adiada em razão de uma greve de advogados criminalistas na Itália, que também envolveu integrantes da defesa de Zambelli no país europeu.
Em julho, a Corte de Cassação italiana anulou uma decisão anterior que havia autorizado a extradição da ex-deputada. Entre os pontos considerados estava a falta de garantias suficientes sobre o atendimento médico que ela receberia na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, caso fosse enviada ao Brasil.
Desde maio, Zambelli responde ao processo em liberdade na Itália, após a Corte Suprema do país anular decisões de instâncias inferiores que haviam autorizado sua extradição.
O advogado da ex-deputada no Brasil, Eduardo Maurício, afirmou estar confiante na decisão definitiva e na rejeição do pedido brasileiro. Segundo ele, a recusa seria “a única medida que atenderá ao cumprimento da Lei, Convenções e Tratados internacionais”.
No fim de setembro, a defesa também declarou que o retorno de Zambelli ao Brasil, caso a extradição fosse autorizada, “seria o mesmo que sentenciar sua morte”.
Duas condenações definitivas no Brasil
Carla Zambelli foi condenada em dois processos no Brasil, ambos com trânsito em julgado, expressão jurídica utilizada quando não há mais possibilidade de recursos ordinários contra as decisões.
A primeira condenação estabelece pena de 10 anos e 8 meses de prisão pela invasão hacker dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça.
O governo brasileiro também solicitou a extradição da ex-deputada nesse processo, mas a Justiça italiana rejeitou o pedido. Entre os fundamentos apontados estava o entendimento de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, não poderia ter julgado o caso por ser, naquele contexto, juiz e vítima dos fatos atribuídos a Zambelli.
A segunda condenação é de 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O processo está relacionado ao episódio ocorrido em São Paulo durante as eleições de 2022 e fundamenta o pedido de extradição analisado nesta terça-feira.
O que está em jogo
A decisão da Justiça italiana deverá esclarecer se estão presentes as condições legais para que Carla Zambelli seja extraditada e cumpra no Brasil a pena referente ao caso da perseguição armada.
O julgamento não representa uma nova análise das condenações brasileiras. O ponto central é verificar se a extradição atende às exigências jurídicas aplicáveis e às garantias previstas nos tratados internacionais.




