Dólar fecha acima de R$ 5,40 e tem maior alta diária desde 1999
Moeda americana chegou a superar R$ 5,60 durante o pregão desta segunda-feira (26), em um dia de forte volatilidade no mercado financeiro brasileiro
Publicado em 26 de outubro de 2026, 21:03 — Em São Paulo

O dólar comercial fechou esta segunda-feira (26) acima de R$ 5,40, depois de superar a marca de R$ 5,60 durante o pregão. O movimento representou a maior valorização diária da moeda americana frente ao real desde 1999.
A forte alta aconteceu no primeiro dia de funcionamento dos mercados após o resultado das eleições. Desde a abertura dos negócios, investidores passaram a reavaliar suas posições em ativos brasileiros diante das expectativas sobre os rumos da economia e, principalmente, da política fiscal nos próximos anos.
Durante a manhã, a pressão sobre o mercado foi intensa. O dólar chegou a aproximadamente R$ 5,60 antes de perder parte da valorização ao longo da tarde. Mesmo com a redução das máximas, a moeda encerrou o dia ao redor de R$ 5,40, mantendo uma alta expressiva em relação ao fechamento anterior.
Mercado teve dia de forte turbulência
A disparada do dólar ocorreu ao mesmo tempo em que a Bolsa brasileira enfrentou uma das sessões mais turbulentas dos últimos anos.
O Ibovespa chegou a registrar queda superior a 17% durante o pregão, levando a B3 a acionar o chamado circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações quando o mercado registra movimentos extremos.
Ao final da sessão, o principal índice da Bolsa brasileira ainda acumulava forte queda.
O comportamento simultâneo do dólar e da Bolsa mostrou uma forte reprecificação dos ativos brasileiros, movimento que costuma ocorrer quando investidores reconsideram expectativas sobre juros, inflação, contas públicas e crescimento econômico.
Política fiscal entra no centro das atenções
Entre os principais pontos observados pelo mercado está a política fiscal.
Investidores acompanham quais medidas deverão ser adotadas pelo governo em relação às despesas públicas, resultado fiscal e trajetória da dívida. Mudanças nessas expectativas podem afetar diretamente as taxas de juros, o câmbio e os preços dos ativos brasileiros.
Os próximos dias deverão ser marcados pela divulgação de novas análises e projeções, à medida que bancos, instituições financeiras e economistas atualizem seus cenários depois do resultado eleitoral.
Dólar mais alto pode afetar indústria e comércio
A valorização da moeda americana também pode produzir reflexos na economia real.
Empresas que dependem da importação de máquinas, componentes, peças e matérias-primas podem enfrentar aumento de custos caso o dólar permaneça em níveis mais elevados por um período prolongado.
São Paulo merece atenção especial nesse cenário por concentrar parte significativa da indústria brasileira e importantes cadeias produtivas ligadas aos setores automotivo, farmacêutico, tecnológico, químico e de máquinas e equipamentos.
Por outro lado, empresas exportadoras podem se beneficiar de um câmbio mais elevado, já que receitas recebidas em dólar passam a representar valores maiores quando convertidas para reais.
A intensidade desses efeitos dependerá, no entanto, do comportamento da moeda nas próximas semanas. Um único dia de forte oscilação não é suficiente para determinar o impacto definitivo sobre preços, investimentos ou produção.
O mercado agora acompanha as próximas sinalizações econômicas e fiscais para avaliar se o movimento desta segunda-feira será temporário ou se representará uma mudança mais duradoura na cotação do dólar.




