Fachin pede fim do sigilo do caso Master em meio à crise no STF
Em meio à crise, Fachin determina mais transparência no caso Master.
Publicado em 11 de setembro de 2026, 12:28 — Em São Paulo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitou na noite desta quinta-feira (10) a derrubada do sigilo imposto ao caso Banco Master, um dos principais focos da crise que mergulhou a mais alta Corte do país em uma sequência de embates, decisões conflitantes e questionamentos públicos nos últimos dias.
A orientação é para que o sigilo seja suspenso, com exceção de trechos em que a preservação das informações seja considerada imprescindível para o andamento das investigações. O movimento ocorre às vésperas da sessão extraordinária convocada por Fachin para a próxima terça-feira (15), quando o plenário deverá discutir os desdobramentos do relatório da Polícia Federal e a possibilidade de abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
O caso Banco Master, que envolve suspeitas de fraudes financeiras bilionárias e tem Daniel Vorcaro como personagem central, chegou ao STF em meio à presença de autoridades com foro privilegiado. A investigação passou a ganhar proporções ainda maiores após a divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro e que apontariam interlocução com integrantes do Supremo.
Mas o escândalo financeiro rapidamente deixou de ser apenas um caso policial e se transformou em uma crise institucional. Nos últimos dias, Alexandre de Moraes e André Mendonça passaram a protagonizar uma troca de acusações, enquanto decisões divergentes sobre o comando da Polícia Federal expuseram publicamente uma rara guerra interna entre ministros da própria Corte.
Fachin precisou intervir para suspender decisões conflitantes envolvendo Mendonça e Flávio Dino, além de retirar Moraes da relatoria do inquérito das fake news e concentrar na Presidência do STF a autorização para novas investigações contra ministros.</b>
A derrubada parcial do sigilo do caso Master surge, agora, como mais um capítulo da tentativa de reorganizar uma Corte sob forte pressão. Ao abrir espaço para maior transparência, Fachin busca responder a uma crise que já ultrapassou os corredores do Supremo e passou a alimentar questionamentos sobre a credibilidade, os limites e a estabilidade institucional do tribunal.
Na terça-feira, o STF terá diante de si mais do que um relatório ou uma disputa processual. A sessão deverá representar um novo teste para uma Corte que, nos últimos dias, viu suas divergências internas ganharem proporções públicas e sem precedentes.




