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Aécio Neves perde eleição para o Senado em Minas Gerais e fica sem mandato após 40 anos

Tucano terminou a disputa atrás de Marília Campos e Carlos Viana e o resultado interrompe trajetória política iniciada em 1986.

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 6 de outubro de 2026, 09:18 — Em São Paulo

4 min de leitura
Aécio Neves perde eleição para o Senado em Minas Gerais e fica sem mandato após 40 anos
Aécio Neves perde eleição para o Senado em Minas Gerais e fica sem mandato após 40 anosFoto: Pedro Ladeira/Folhapress

A eleição de 2026 marcou o fim de um ciclo de quatro décadas na vida política de Aécio Neves. Aos 66 anos, o presidente nacional do PSDB não conseguiu conquistar uma das duas vagas ao Senado por Minas Gerais e, pela primeira vez em 40 anos, ficará sem mandato eletivo.

Aécio terminou a disputa atrás de Marília Campos (PT), ex-prefeita de Contagem, e de Carlos Viana (PSD), que conquistaram as duas cadeiras destinadas ao estado. Com o resultado, os dois se juntam a Alex Diniz (PL), suplente de Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais.

Entrada na disputa aconteceu após mudanças na chapa

A candidatura de Aécio ao Senado foi definida somente depois da definição inicial das chapas. O tucano havia considerado disputar a Presidência da República, mas desistiu diante do cenário de polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Antes de Aécio assumir a candidatura ao Senado, houve mudanças na composição da chapa. Marcelo Heringer (PDT), que concorria por um partido coligado ao PSDB em Minas, retirou seu nome. Depois, Gustavo Galassi, do próprio PSDB, também deixou a disputa. Os dois passaram a figurar como suplentes, abrindo espaço para Aécio.

Os nomes das chapas haviam sido oficializados em 15 de agosto, mas Aécio teve sua candidatura registrada posteriormente, no dia 28 de agosto. A legislação eleitoral permite alterações após esse período em situações específicas, como morte de candidato, declaração de inelegibilidade ou desistência da chapa apresentada.

A demora também esteve relacionada às discussões sobre uma possível candidatura presidencial. Ciro Gomes, que posteriormente ingressou no PSDB, chegou a ser considerado para a disputa nacional, mas decidiu concorrer ao governo do Ceará.

Quatro décadas de carreira política

A derrota em 2026 interrompe uma trajetória que começou ainda na década de 1980. Antes mesmo de ocupar um cargo eletivo, Aécio atuou como assessor de seu avô, Tancredo Neves.

Em 1986, foi eleito deputado federal constituinte pelo então PMDB. Durante sua passagem pela Assembleia Nacional Constituinte, apresentou uma proposta para permitir o voto aos 16 anos. Em 1989, ingressou no PSDB.

Aécio foi eleito deputado federal seis vezes, em 1986, 1990, 1994, 1998, 2018 e 2022. Também comandou o governo de Minas Gerais por dois mandatos, em 2002 e 2006, e chegou ao Senado pela primeira vez em 2010.

Em 2013, assumiu a presidência nacional do PSDB, posição que ocupa atualmente. A legenda, no entanto, passou por um processo de perda de espaço político a partir de 2024.

A eleição presidencial de 2014 foi o último grande momento de projeção nacional de Aécio. Candidato do PSDB contra Dilma Rousseff (PT), ele terminou derrotado e ficou marcado por declarações posteriores nas quais não aceitava o resultado da disputa.

Nos anos seguintes, seu nome também esteve envolvido em denúncias relacionadas aos desdobramentos da Operação Lava Jato. Um dos episódios de maior repercussão envolveu uma gravação na qual Aécio pedia R$2 milhões a Joesley Batista, então proprietário da JBS.

Até a eleição deste ano, Aécio havia sido derrotado somente em duas disputas eleitorais: para a Prefeitura de Belo Horizonte, em 1992, e na eleição presidencial de 2014.

Patrimônio declarado passa de R$1,9 milhão para R$22,5 milhões

Além do resultado nas urnas, a declaração de bens apresentada por Aécio para a eleição de 2026 também chamou atenção pela diferença em relação ao patrimônio informado quatro anos antes.

Em 2022, o político havia declarado R$1,9 milhão em bens. Para a atual eleição, o valor informado chegou a R$22,5 milhões, uma diferença de mais de R$ 20 milhões.

Segundo a assessoria de Aécio, cerca de R$21 milhões correspondem a bens recebidos por herança após a morte de sua mãe, em 2023. Ela era viúva do empresário e banqueiro Gilberto Faria e deixou patrimônio para os filhos, entre eles o político.

A maior parte dos bens está concentrada em imóveis, que somam R$12,5 milhões. Entre eles estão duas propriedades herdadas da mãe, uma em Santa Catarina e outra no Rio de Janeiro, avaliadas juntas em R$8,6 milhões.

A declaração também inclui uma propriedade rural recebida por herança, um apartamento em Belo Horizonte avaliado em R$222 mil e um terreno rural de R$87 mil.

Com a derrota para o Senado, Aécio Neves encerra, aos 66 anos, uma sequência de 40 anos ocupando cargos eletivos. O resultado de 2026 representa, portanto, uma mudança inédita na trajetória política do tucano desde sua primeira eleição, em 1986.

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