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Uma vida adulta sob o PT: Lula pode ampliar domínio no Planalto

Uma geração, décadas sob o PT.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 12 de agosto de 2026, 15:22 — Em São Paulo

3 min de leitura
Uma vida adulta sob o PT: Lula pode ampliar domínio no Planalto
Uma vida adulta sob o PT: Lula pode ampliar domínio no Planalto

Para uma parcela da população brasileira, a trajetória política do país se confunde, em grande parte, com a história recente do Partido dos Trabalhadores no poder. É o caso de quem nasceu em 1985 e, se Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito em outubro, poderá chegar ao fim de 2030 tendo passado cerca de 80% da vida adulta sob governos petistas.

A conta considera como ponto de partida os 18 anos de idade, alcançados em 2003, justamente quando Lula assumiu a Presidência pela primeira vez. Entre 2003 e 2030, seriam 27 anos de vida adulta. Desse período, aproximadamente 21 anos e oito meses teriam o PT no comando do Executivo federal.

A maior parte desse tempo está concentrada nos dois primeiros mandatos de Lula, entre 2003 e 2010, e no governo de Dilma Rousseff, iniciado em 2011 e encerrado antecipadamente com o impeachment, em 31 de agosto de 2016. A sequência seria retomada em 2023, com o retorno de Lula ao Palácio do Planalto, e poderia se estender até 2030 caso o presidente conquiste um novo mandato nas urnas.

O único intervalo em que o PT não esteve à frente da Presidência nessa trajetória seria de 2016 a 2023. Foram sete anos fora do comando do Executivo federal, período que começou com Michel Temer e terminou com os quatro anos do governo Jair Bolsonaro.

O eventual novo mandato de Lula também teria um significado particular na cronologia política brasileira. A legislação eleitoral impede que um presidente exerça três mandatos consecutivos. Assim, uma vitória em outubro permitiria a Lula permanecer no cargo até 2030, mas o impediria de disputar novamente a Presidência naquele mesmo ano.

Aos 80 anos, Lula participa neste ano de sua sétima eleição presidencial. Seria sua segunda tentativa de reeleição desde que chegou ao Planalto pela primeira vez, em 2003.

Somados os períodos de 2003 a 2010 e o atual mandato, iniciado em 2023, Lula já acumula mais tempo na Presidência do que qualquer outro presidente brasileiro eleito diretamente pelo voto popular. Uma eventual vitória ampliaria ainda mais essa marca e encerraria, em 2030, um ciclo de quatro mandatos presidenciais exercidos de forma não consecutiva.

A possibilidade de um mesmo partido permanecer no poder por grande parte da vida adulta de uma geração abre espaço para uma discussão que vai além da disputa eleitoral deste ano.

Para quem chegou à maioridade em 2003, governos petistas não são apenas um capítulo da história política recente: eles representam a maior parte do período em que essa geração passou a votar, trabalhar, constituir família e participar da vida pública. Para outros brasileiros, entretanto, os sete anos de governos não petistas representam justamente a experiência de um país que também conheceu diferentes projetos no comando do Executivo.

O debate, portanto, não deveria se limitar à quantidade de anos de um partido no poder. A questão central é o que essa permanência representa para a democracia: continuidade de políticas públicas e de um projeto político ou necessidade de alternância e renovação?

Em uma democracia, a resposta não está apenas no tempo de permanência de uma legenda no Planalto, mas na capacidade de cada governo de responder aos desafios de seu tempo e, sobretudo, na liberdade do eleitor de escolher entre diferentes caminhos. Quando uma geração passa a associar boa parte de sua vida adulta a um mesmo grupo político, a discussão sobre continuidade, alternância e renovação deixa de ser apenas eleitoral e passa a ser também uma reflexão sobre os rumos do próprio país.

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