Vídeo reacende dúvidas sobre voo de Moraes em avião ligado a Vorcaro
Aeronave, contrato milionário e uma relação sob escrutínio.
Publicado em 21 de setembro de 2026, 15:26 — Em São Paulo

Um vídeo registrado em 22 de agosto de 2025, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, colocou sob novo foco a relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
As imagens mostram Moraes e Viviane desembarcando de um jato executivo Legacy 650, de prefixo PP-NLR. A aeronave estava vinculada à Fraction 024 Administração de Bem Próprio, empresa que tinha participação do fundo Viking Participações, ligado a Vorcaro. A operação do avião era feita pela Prime Aviation, também conhecida como Prime You, empresa na qual Vorcaro mantinha participação minoritária por meio do fundo Patrimonial Blue.
A conexão entre o avião e o escritório de Viviane ganha outro significado diante de documentos incorporados às investigações do caso Banco Master. Segundo informações extraídas do relatório da Polícia Federal, em maio de 2025 a Viking Participações, representada por Vorcaro, firmou com o escritório Barci de Moraes um contrato com limite de até R$ 50 milhões por serviços jurídicos.
Um termo posterior, datado de 19 de maio daquele ano, estabeleceu uma forma específica de quitação. Dos R$ 50 milhões previstos, R$ 40 milhões seriam pagos por meio da transferência de participações em duas empresas relacionadas a aeronaves: a Fraction 024, proprietária do Legacy 650 PP-NLR, e a Fraction 053, vinculada à aquisição de um helicóptero. Os R$ 10 milhões restantes seriam pagos por meio do reembolso de despesas relacionadas à utilização e aquisição desses ativos.
O episódio das aeronaves, portanto, aparece inserido em uma relação comercial mais ampla. Antes desse acordo, em janeiro de 2024, o Banco Master havia contratado o escritório de Viviane Barci de Moraes por um valor bruto estimado em R$ 131 milhões. O contrato previa 36 parcelas mensais e abrangia serviços jurídicos e de consultoria estratégica, inclusive em procedimentos envolvendo órgãos como Polícia Federal, Banco Central, Receita Federal e Cade.</b>
A investigação da Polícia Federal passou a analisar conjuntamente contratos, mensagens e registros relacionados às relações entre Vorcaro, o escritório de Viviane e as aeronaves. O material veio a público após a retirada do sigilo de documentos do caso Master determinada pelo ministro André Mendonça.
O escritório Barci de Moraes, por sua vez, contesta a interpretação de que exista uma relação pessoal ou societária entre Viviane e Vorcaro. Em manifestação divulgada após a circulação do vídeo, afirmou que contratou serviços de táxi aéreo da Prime Aviation e que a escolha das aeronaves cabia à empresa responsável pelo serviço. O escritório também declarou que Vorcaro não esteve presente nos voos e que, em algumas ocasiões, Alexandre de Moraes acompanhou a esposa.
O caso também ganhou repercussão porque, anteriormente, o gabinete de Moraes havia afirmado que o ministro jamais havia viajado em avião de Daniel Vorcaro. O novo vídeo comprova pelo menos um desembarque de Moraes em uma aeronave que, segundo os documentos divulgados, estava inserida na estrutura empresarial ligada ao empresário.
A existência desses vínculos comerciais e o uso de aeronaves relacionadas ao empresário não constituem, por si só, prova de ilegalidade ou de interferência do ministro em decisões judiciais. As circunstâncias, contudo, passaram a integrar o debate público sobre possíveis conflitos de interesse, transparência e limites éticos nas relações entre autoridades públicas, seus familiares e pessoas ou empresas que possuem interesses submetidos à atuação do Estado.
Diante da divulgação dos documentos e das versões apresentadas pelas partes, permanece uma questão central para o debate público: quais critérios de transparência e de prevenção de conflitos de interesse devem ser aplicados quando familiares de autoridades do Judiciário mantêm contratos milionários com empresários ou empresas que, posteriormente, aparecem vinculados a relações pessoais, viagens ou outros benefícios envolvendo a própria autoridade?</i>




