Tarcísio participa de alta do ICMS e gera debate sobre discurso contra impostos
Reajuste aprovado pelo Confaz terá validade nacional a partir de fevereiro de 2027. Em São Paulo, a decisão coloca em discussão a política tributária do governo Tarcísio de Freitas e o impacto dos novos valores no orçamento da população.
Publicado em 5 de novembro de 2026, 15:58 — Em São Paulo

O discurso de redução de impostos voltou ao centro do debate político em São Paulo após a aprovação de novos valores do ICMS sobre combustíveis. A decisão, tomada em 27 de outubro pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), contou com a participação do governo paulista, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), e prevê aumento da tributação sobre gasolina, diesel e gás de cozinha em todo o país a partir de 1º de fevereiro de 2027.
A medida chama atenção porque Tarcísio construiu parte de seu discurso político defendendo a redução da carga tributária e criticando aumentos de impostos. O governo paulista, entretanto, participou da reunião por meio do secretário estadual da Fazenda e Planejamento, Samuel Kinoshita, que representou São Paulo nas deliberações.
Com a atualização, o ICMS da gasolina passará de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro, acréscimo de R$ 0,07. No diesel, a cobrança subirá de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, uma elevação de 11,1%. Já o gás de cozinha terá aumento de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo, o que representa R$ 0,91 a mais na tributação de um botijão de 13 quilos.
O assunto provocou críticas de Guilherme Boulos, que apontou contradição entre o discurso político do governador e a participação de São Paulo na decisão. Tarcísio rebateu as acusações, afirmando que o reajuste não foi uma decisão isolada do estado, mas uma deliberação conjunta dos governos estaduais no Confaz. Também argumentou que São Paulo manteve sua alíquota modal de ICMS em 18% nos últimos quatro anos.
Embora a atualização tenha abrangência nacional, seus efeitos serão sentidos diretamente pelos consumidores paulistas. A gasolina pesa no orçamento de motoristas, o diesel influencia o transporte de mercadorias e o gás de cozinha representa uma despesa essencial para milhões de famílias. Dependendo do repasse ao consumidor e das condições do mercado, o aumento também poderá pressionar outros preços da economia.
A discussão, portanto, não se limita ao valor adicional cobrado nos postos e nas distribuidoras. Ela envolve a coerência das políticas tributárias, a necessidade de arrecadação dos estados e a responsabilidade dos governos diante do custo de vida.
No caso de São Paulo, a participação na decisão coloca o governo Tarcísio diante de uma questão que merece esclarecimento público: como conciliar a defesa de uma política de redução de impostos com a aprovação de uma atualização que aumenta a tributação sobre produtos essenciais?
Mais do que uma disputa entre governo e oposição, o episódio oferece à sociedade a oportunidade de discutir transparência, responsabilidade fiscal e justiça tributária. Afinal, quando o assunto é imposto, o discurso político precisa ser confrontado com as decisões administrativas e seus efeitos concretos. O desafio dos governantes não está apenas em justificar a arrecadação, mas em demonstrar como essas escolhas atendem ao interesse público sem ampliar excessivamente o peso sobre quem já enfrenta dificuldades para fechar as contas no fim do mês.




