"Tenha dó!": Bate-boca entre Moraes e Mendonça marca julgamento do 08 de Janeiro no STF
Ministros protagonizaram momento de forte tensão no Plenário durante a análise das responsabilidades pelos atos antidemocráticos.
Publicado em 2 de setembro de 2026, 14:04 — Em São Paulo

Um momento de forte tensão marcou a sessão plenária do Supremo Tribunal Federal durante o julgamento das primeiras ações penais relativas aos atos antidemocráticos de 08 de janeiro. Os ministros Alexandre de Moraes, relator dos processos, e André Mendonça protagonizaram um ríspido bate-boca no Plenário, evidenciando as divergências no colegiado sobre a apuração dos fatos e a atuação das forças de segurança.
O estopim da discussão ocorreu quando o ministro André Mendonça levantou questionamentos sobre a conduta das forças de segurança e do Ministério da Justiça no dia das invasões às sedes dos Três Poderes, sugerindo a necessidade de investigar eventuais omissões de agentes federais.
A fala provocou reação imediata do relator. Eleptado com as insinuações, o ministro Alexandre de Moraes rebateu de forma incisiva, classificando como infundada qualquer tese que sugerisse conivência ou conspiração interna por parte do Executivo federal.
“Confira o diálogo gravado durante a sessão:
Alexandre de Moraes: "...Vossa Excelência vem no Plenário do Supremo Tribunal Federal, que foi destruído, para dizer que houve uma conspiração do governo contra o próprio governo? Tenha dó!"
André Mendonça: * "Não coloque palavras na minha boca! Tenha dó... Não coloque palavras na minha boca! Não coloque palavras na minha boca. Tenha dó Vossa Excelência."*
”
O tom áspero paralisou os debates por alguns instantes. Moraes argumentou que o prédio do próprio Tribunal havia sido depredado e que não era admissível transferir a responsabilidade dos invasores para o governo eleito. Mendonça, por sua vez, defendeu seu direito de suscitar dúvidas sobre a cadeia de comando e a prevenção dos atos.
Apesar da ríspida troca de farpas, o clima no Plenário voltou à normalidade no decorrer da sessão. Posteriormente, ambos os magistrados contiveram os ânimos, pediram desculpas pelos excessos de linguagem e deram prosseguimento à votação. O episódio, contudo, permaneceu como um dos registros mais emblemáticos do julgamento no STF.




