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Após acusar Lula de plágio, grupo de Tarcísio é proibido de usar slogan do próprio governo em campanha

TRE-SP determina que governador deixe de utilizar expressão adotada em publicidade institucional do governo paulista

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 2 de setembro de 2026, 11:49 — Em São Paulo

2 min de leitura
Após acusar Lula de plágio, grupo de Tarcísio é proibido de usar slogan do próprio governo em campanha
Após acusar Lula de plágio, grupo de Tarcísio é proibido de usar slogan do próprio governo em campanhaFoto: Reprodução Internet

Oito meses depois de integrantes do grupo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) acusarem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de plagiar um slogan de sua gestão, a própria campanha do governador foi impedida pela Justiça Eleitoral de utilizar uma expressão adotada pelo governo de São Paulo em sua publicidade institucional.

A decisão é do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) e ocorreu após a campanha de Fernando Haddad (PT) questionar o uso, pela candidatura de Tarcísio, do slogan “coragem para fazer o impossível”.

A frase havia sido adotada pelo governo paulista em dezembro, durante um balanço das ações da gestão em 2025. Na ocasião, o governo utilizou o slogan para destacar a retomada de obras e projetos que estavam parados.

Desde então, a expressão passou a ser utilizada como mote de campanhas publicitárias do governo estadual, pagas com recursos públicos.

Na estreia do programa eleitoral, às 5h23 de sexta-feira (28), a candidatura de Tarcísio levou o mesmo slogan para a televisão. A utilização da frase foi imediatamente questionada pela campanha de Haddad, que pediu ao TRE-SP a suspensão da peça e a proibição do uso da expressão na propaganda eleitoral.

A juíza Domitila Manssur reconheceu que a frase “coragem pra fazer o impossível” havia sido empregada de forma reiterada na publicidade institucional do Governo do Estado de São Paulo e que também foi utilizada pela campanha de Tarcísio.

Na decisão, a magistrada afirmou que não se tratava de uma simples coincidência ou da utilização de palavras de uso comum.

“

“Não se está, portanto, diante da utilização isolada de palavra de uso corrente ou de mera aproximação temática.”

”

Segundo Manssur, a propaganda eleitoral reproduziu praticamente a mesma frase utilizada como mote da publicidade institucional, com alteração apenas de “pra” para “para”.

A juíza também destacou que a expressão foi utilizada em um contexto destinado a apresentar realizações de Tarcísio no exercício do cargo de governador.

“E o faz justamente em contexto destinado a apresentar realizações do candidato no exercício do cargo de Governador”, escreveu.

Com a decisão, a Justiça Eleitoral determinou que a campanha de Tarcísio deixe de veicular e se abstenha de reapresentar a inserção.

Além disso, o governador ficou proibido de utilizar, em sua propaganda eleitoral, a expressão “coragem para fazer o impossível”.

A decisão, porém, não impede que a campanha continue apresentando realizações da gestão estadual. Também está autorizado o uso dos vocábulos “coragem”, “possível” e “impossível”, assim como a elaboração de narrativas relacionadas a esses conceitos.

Após a determinação judicial, Tarcísio passou a utilizar uma nova expressão em sua comunicação eleitoral: “coragem para entregar resultados”.

O episódio ocorre meses depois de aliados do governador terem acusado Lula de utilizar um slogan que, segundo o grupo de Tarcísio, teria sido inspirado em uma mensagem associada ao governo paulista.

Agora, a própria campanha do governador foi impedida pela Justiça Eleitoral de reproduzir em sua propaganda uma frase que havia se tornado mote da publicidade institucional de sua gestão.

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