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Tarcísio prepara Ricardo Salles para assumir Secretaria da Justiça de São Paulo em 2027

Deputado federal desistiu de disputar o Senado na reta final das eleições após reunião com o governador; possível nomeação reacende debate sobre acordos políticos e escolhas para o governo paulista.

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 6 de novembro de 2026, 10:02 — Em São Paulo

3 min de leitura
Tarcísio prepara Ricardo Salles para assumir Secretaria da Justiça de São Paulo em 2027
Tarcísio prepara Ricardo Salles para assumir Secretaria da Justiça de São Paulo em 2027Foto: Reprodução/Redes Sociais

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), prepara uma nova movimentação na composição de seu futuro governo. O deputado federal Ricardo Salles (Novo), ex-ministro do Meio Ambiente durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), deve ser indicado para comandar a Secretaria da Justiça e Cidadania de São Paulo a partir de 2027. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e também é sustentada por informações obtidas junto a fontes próximas às articulações políticas.

A possibilidade de nomeação ganha relevância pelo contexto em que ocorre. Salles havia colocado seu nome na disputa por uma vaga no Senado nas eleições deste ano, mas retirou a candidatura na última semana da campanha, após uma reunião com Tarcísio no comitê eleitoral do governador.

A decisão ocorreu em meio às articulações para fortalecer as candidaturas de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), que acabaram eleitos senadores. Com a saída de Salles da disputa, o grupo político do governador conseguiu concentrar esforços nas candidaturas que buscava impulsionar.

Naquele momento, pessoas próximas a Tarcísio negaram que a desistência tivesse sido acompanhada de qualquer negociação para a ocupação de um cargo na administração estadual. A perspectiva de Salles assumir uma secretaria, entretanto, recoloca o episódio no centro das discussões políticas e levanta questionamentos sobre os entendimentos estabelecidos durante a campanha.

O nome de Ricardo Salles também carrega um histórico que ultrapassa as articulações eleitorais. À frente do Ministério do Meio Ambiente entre 2019 e 2021, durante o governo Bolsonaro, o então ministro protagonizou episódios de grande repercussão nacional, especialmente pelas posições adotadas em relação à política ambiental.

Um dos momentos mais controversos ocorreu em abril de 2020, durante uma reunião ministerial, quando Salles defendeu aproveitar a concentração da atenção pública na pandemia de Covid-19 para promover mudanças em normas ambientais. A declaração ficou conhecida pela expressão "passar a boiada" e se tornou um dos episódios mais lembrados de sua passagem pelo ministério.

Agora, a possibilidade de assumir a Secretaria da Justiça e Cidadania de São Paulo acrescenta uma nova dimensão à discussão. A pasta possui responsabilidades importantes na promoção dos direitos fundamentais, na defesa da cidadania e na articulação de políticas públicas voltadas à população. Trata-se, portanto, de uma função que exige compromisso institucional e atenção às garantias previstas na legislação.

A eventual escolha também evidencia o peso das alianças políticas na organização do governo paulista. A formação de uma equipe administrativa envolve negociações e composição de forças partidárias, mas a ocupação de cargos estratégicos traz consigo responsabilidades que vão além dos compromissos eleitorais.

Caso a indicação se confirme, Ricardo Salles deixará o caminho de uma disputa eleitoral pelo Senado para ocupar uma posição de destaque no Executivo estadual. Para além das relações políticas que envolvem a possível nomeação, a sociedade paulista terá razões para acompanhar quais serão as prioridades e a condução da Secretaria da Justiça e Cidadania sob seu comando.

A questão central é como o governo pretende conciliar os interesses de sua base política com a responsabilidade de conduzir uma pasta diretamente ligada à cidadania e à garantia de direitos.

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