Alcolumbre sinaliza proteção a Flávio Bolsonaro em meio à disputa pela presidência do Senado
Presidente do Senado teria indicado a aliados que não pretende avançar com pedidos de cassação do senador. Participação remota de Flávio em votação da PEC da Segurança foi questionada pelo PT, enquanto o PL oficializou Rogério Marinho como candidato ao comando da Casa em 2027.
Publicado em 6 de novembro de 2026, 11:08 — Em São Paulo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria sinalizado a representantes do grupo bolsonarista que não pretende dar andamento a pedidos de cassação do mandato de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A movimentação ocorre em meio às articulações políticas para a eleição da presidência da Casa, marcada para 1º de fevereiro de 2027.
Segundo relatos de integrantes do grupo bolsonarista, Alcolumbre teria indicado que pretende preservar o mandato de Flávio até o encerramento do período legislativo, previsto para janeiro de 2027. O senador está nos Estados Unidos desde 28 de outubro, quando chegou a Miami após a derrota na disputa presidencial.
Um dos gestos que reforçaram a aproximação entre Alcolumbre e o grupo político ocorreu na terça-feira, dia 03, quando Flávio participou remotamente da votação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública.
A participação foi viabilizada após o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), procurar Alcolumbre e solicitar a habilitação do novo número de telefone utilizado pelo parlamentar. Segundo Portinho, o presidente da Casa autorizou a liberação junto à equipe técnica.
A participação remota, no entanto, passou a ser questionada por parlamentares governistas. Na quarta-feira, dia 04, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, apresentou questionamentos à Presidência do Senado sobre a ausência de comunicação oficial da viagem de Flávio ao exterior e pediu a anulação dos votos registrados durante a sessão.
Alcolumbre afirmou que encaminharia o caso para análise dos setores técnico e jurídico da Casa, considerando as regras regimentais aplicáveis. Até o momento, não há uma decisão definitiva sobre os questionamentos apresentados.
Articulação mira a presidência do Senado
Os movimentos de Alcolumbre também ocorrem em um momento de intensificação das articulações para a eleição da presidência do Senado. O atual presidente busca ampliar o diálogo com diferentes setores políticos, especialmente com a direita, na tentativa de reunir apoio para permanecer no comando da Casa por mais um mandato.
A eleição está prevista para 1º de fevereiro de 2027. Nesse cenário, a bancada do PL representa um grupo importante nas negociações, embora os gestos recentes de Alcolumbre não tenham garantido a adesão dos parlamentares bolsonaristas.
Integrantes da bancada afirmam que não pretendem apoiar a recondução do atual presidente. O partido oficializou o senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à presidência do Senado, mantendo uma candidatura própria na disputa.
O cenário evidencia os desafios de Alcolumbre para construir uma base de apoio capaz de assegurar sua permanência no cargo. Embora busque aproximação com o grupo bolsonarista, a resistência do PL indica que as negociações em torno do comando do Senado ainda devem movimentar o cenário político nos próximos meses.




