Ricardo Salles defende Zema no primeiro turno e faz críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro
Em entrevista exclusiva ao Canal Estado SP, deputado também apresentou propostas para o Senado, avaliou o governo Tarcísio e falou sobre segurança pública, economia, agronegócio e os interesses do interior paulista
Publicado em 28 de julho de 2026, 22:05 — Em Piracicaba

Romeu Zema é a escolha de Ricardo Salles para a Presidência da República no primeiro turno das eleições de 2026. Em entrevista exclusiva ao programa Política em Pauta, do Canal Estado SP, Salles defendeu a candidatura do governador de Minas Gerais e fez ressalvas ao nome de Flávio Bolsonaro para representar a direita na disputa pelo Palácio do Planalto.
Apesar das críticas, Salles afirmou que apoiará Flávio caso o senador avance para um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Contra o Lula, a gente vai votar em quem quer que seja”, declarou.
A entrevista foi conduzida pela jornalista Juliana Salto nos estúdios do Grupo Canal, em Piracicaba. Ao longo de aproximadamente 40 minutos, Salles também falou sobre sua candidatura ao Senado por São Paulo, avaliou o governo Tarcísio de Freitas e apresentou posições sobre segurança pública, economia, agronegócio, meio ambiente e a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Ex-ministro do Meio Ambiente durante o governo Jair Bolsonaro e deputado federal por São Paulo desde 2023, Ricardo Salles teve seu nome aprovado pelo Partido Novo para disputar uma das duas vagas paulistas no Senado.
APOIO A ZEMA E CRITICAS A FLÁVIO BOLSONARO
Questionado sobre a escolha da direita para a disputa presidencial, Salles considerou problemática a candidatura de Flávio Bolsonaro por entender que ela não representa um afastamento suficiente das práticas políticas atribuídas ao Centrão.
O deputado declarou que sua preferência no primeiro turno é por Romeu Zema, seu correligionário no Novo. Para Salles, o governador mineiro reúne uma orientação econômica liberal e uma postura política mais próxima daquilo que espera de uma candidatura presidencial.
Salles citou a reorganização fiscal de Minas Gerais como uma das principais credenciais de Zema e afirmou que o Brasil precisa de um governo comprometido com austeridade, controle das despesas e redução do tamanho da máquina pública.
Apesar das ressalvas, garantiu que apoiará Flávio Bolsonaro caso o senador chegue ao segundo turno contra Lula.
AVALIAÇÃO DO GOVERNO TARCÍSIO
Salles avaliou positivamente a administração do governador Tarcísio de Freitas em São Paulo. Segundo ele, o governo estadual tem adotado uma visão objetiva de gestão, com participação da iniciativa privada na prestação de serviços e capacidade de investimento.
O deputado ponderou, entretanto, que a segurança pública continua sendo um dos principais desafios do Estado. Durante a entrevista, relacionou o crescimento do crime organizado a décadas de enfraquecimento das estruturas de investigação, especialmente da Polícia Civil.
Ao recordar uma declaração dada anteriormente ao Canal Estado SP, Salles voltou a afirmar que “tucano não gosta de polícia”. Na avaliação dele, sucessivos governos do PSDB não deram a atenção necessária às carreiras policiais, permitindo que organizações criminosas ampliassem sua estrutura financeira e sua presença em atividades econômicas legais e ilegais.
Para o parlamentar, o crime organizado deixou de atuar exclusivamente no tráfico de drogas e passou a ocupar espaços em fundos de investimento, postos de combustíveis, usinas, contratos públicos e administrações municipais.
SEGURANÇA PÚBLICA ENTRE AS PRIORIDADES
Salles afirmou que a segurança pública será uma de suas prioridades caso seja eleito senador. Entre as propostas apresentadas, defendeu o aumento da presença das Forças Armadas nas fronteiras para combater o tráfico de armas, drogas e mercadorias contrabandeadas.
O deputado também criticou investimentos militares que considera distantes das necessidades imediatas do país, como determinados projetos de submarinos, mísseis e equipamentos de guerra. Para ele, parte dos recursos deveria ser direcionada ao controle das fronteiras e ao enfrentamento das organizações criminosas.
Na legislação penal, Salles defendeu mudanças nas audiências de custódia, o endurecimento das regras para criminosos de alta periculosidade, restrições às saídas temporárias e a instituição do trabalho obrigatório para pessoas presas.
O pré-candidato também criticou a proposta de centralização da segurança pública no governo federal. Embora tenha reconhecido a importância da integração nacional de informações, afirmou que os estados não devem perder autonomia financeira e operacional para definir suas próprias estratégias.
"EMENDA PARLAMENTAR TINHA QUE SER ZERO"
Outro ponto de destaque da entrevista foi a posição de Salles sobre as emendas parlamentares. O deputado declarou ser contrário ao modelo atual e defendeu que a aplicação do orçamento seja responsabilidade do Poder Executivo.
Para ele, a participação do Congresso deve ocorrer na elaboração, discussão, aprovação e fiscalização do orçamento, mas não na indicação individual de despesas. Salles argumentou que o crescimento das emendas abriu espaço para desvios, uso eleitoral dos recursos e investimentos definidos sem considerar as prioridades da população.
“Tinha que acabar a emenda. Tinha que ser zero”, afirmou.
Questionado sobre o fato de utilizar emendas durante o próprio mandato, Salles disse que continuará destinando os recursos que lhe cabem enquanto o mecanismo estiver em vigor. Segundo ele, o mesmo raciocínio vale para o fundo eleitoral: apesar de defender sua extinção, considera legítimo que o Novo utilize os valores disponíveis enquanto os demais partidos também tiverem acesso ao dinheiro público.
O parlamentar afirmou ser favorável ao financiamento privado das campanhas e contrário aos fundos partidário e eleitoral.
CRÍTICAS À POLÍTICA ECONÔMICA DO GOVERNO LULA
Ao analisar a economia brasileira, Salles fez duras críticas ao presidente Lula e aos ministros responsáveis pela condução fiscal do país.
Na avaliação do deputado, o crescimento das despesas permanentes, a contratação de servidores e a falta de controle orçamentário provocam insegurança entre empresários e investidores. Ele também relacionou a política fiscal aos juros elevados, à variação cambial e à saída de recursos do Brasil.
As declarações foram apresentadas pelo parlamentar dentro de sua avaliação política sobre o governo federal. Durante a entrevista, Salles adotou um tom eleitoral e afirmou que a retirada do PT da Presidência será uma das principais bandeiras de sua campanha.
QUETIONAMENTOS CONTRA SIMONE TEBET E MARINA SILVA
Salles confirmou que contestou o domicílio eleitoral da ministra Simone Tebet em São Paulo. Segundo ele, a trajetória política da ministra está vinculada ao Mato Grosso do Sul e sua mudança eleitoral para o território paulista deveria receber o mesmo tratamento dado anteriormente a Sergio Moro, cuja transferência para São Paulo foi rejeitada pela Justiça Eleitoral em 2022.
O deputado também questionou uma eventual candidatura da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pelo Estado. Na avaliação de Salles, tanto Tebet quanto Marina não possuem vínculos políticos suficientes com São Paulo para representar os paulistas no Senado.
Em relação a Marina, o ex-ministro voltou a criticar sua atuação ambiental e sua relação com o agronegócio. As manifestações representam o posicionamento político de Ricardo Salles e não uma decisão da Justiça Eleitoral sobre a elegibilidade das possíveis candidatas.
MEIO AMBIENTE, SANEAMENTO E AGRONEGÓCIO
Ao recordar sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente, entre 2019 e 2021, Salles afirmou que o saneamento básico deveria ocupar o centro da política ambiental brasileira.
Ele mencionou a falta de água tratada e de coleta de esgoto em milhões de residências e defendeu o Marco Legal do Saneamento, aprovado durante o governo Bolsonaro, como instrumento para ampliar os investimentos privados no setor.
Salles também rejeitou a ideia de que exista uma oposição inevitável entre agronegócio e preservação ambiental. Para ele, o produtor brasileiro segue regras mais rígidas do que agricultores de outros países, especialmente por causa das áreas de preservação permanente e das reservas legais previstas no Código Florestal.
O deputado reconheceu a existência de irregularidades pontuais, mas sustentou que o agronegócio brasileiro, como setor, adota práticas ambientais avançadas. Segundo ele, críticas internacionais ao agro também são utilizadas como barreiras comerciais contra a produção brasileira.
Para o Senado, Salles pretende defender melhorias na infraestrutura de transporte, no seguro rural, no financiamento agrícola e no Plano Safra. Ele disse que os maiores obstáculos enfrentados pelos produtores estão fora das propriedades, em áreas como logística, tributação e legislação trabalhista.
RESPOSTA BRASILEIRA AO TARIFAÇO DE TRUMP
Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, Salles afirmou acreditar que o presidente norte-americano Donald Trump adotaria medidas protecionistas independentemente da posição do Brasil.
O deputado considerou, contudo, que a resposta brasileira poderia ter sido mais eficiente. Na avaliação dele, o governo Lula deveria ter negociado produto por produto, oferecendo concessões em determinadas áreas para reduzir os impactos sobre setores estratégicos da economia nacional.
Segundo Salles, o Palácio do Planalto preferiu transformar o confronto comercial em uma disputa política, em vez de construir uma negociação pragmática. Ele avaliou que as tarifas provavelmente não seriam totalmente evitadas, mas poderiam ter causado prejuízos menores ao país.
DEFESA DOS INTERESSES DE SÃO PAULO
Na parte final da entrevista, Salles apresentou a defesa dos interesses paulistas como o principal eixo de sua candidatura ao Senado.
O parlamentar criticou a diferença entre o volume de impostos federais arrecadados em São Paulo e os recursos que retornam ao Estado. Em sua avaliação, o dinheiro produzido pelos contribuintes paulistas deveria permanecer em maior proporção nos municípios de São Paulo.
Salles lembrou que cidades do interior, incluindo Piracicaba, ainda enfrentam problemas relacionados à habitação, saúde, segurança, saneamento, infraestrutura e urbanização. Para ele, o Estado não pode ser tratado como uma região sem dificuldades apenas por possuir a maior economia do país.
O deputado afirmou que pretende defender uma revisão do pacto federativo e cobrar uma distribuição de recursos que considere a participação paulista na arrecadação nacional.
PRIORIDADES PARA O SENADO
Além da defesa econômica de São Paulo, Salles apontou outras duas prioridades para um eventual mandato.
A primeira seria trabalhar para recuperar o protagonismo institucional do Senado e equilibrar a relação entre Legislativo, Executivo e Judiciário. Segundo ele, o Congresso deixou de exercer parte de suas competências e permitiu interferências excessivas entre os Poderes.
A segunda prioridade seria tornar mais rigorosas as sabatinas de ministros dos tribunais superiores, dirigentes de agências reguladoras, embaixadores e outras autoridades indicadas pelo governo federal.
Salles afirmou que o Senado precisa fiscalizar com maior independência tanto as nomeações quanto a política externa brasileira. Para o parlamentar, a Casa deve deixar de funcionar como espaço de troca de favores políticos e assumir uma posição mais ativa na fiscalização do governo.
A entrevista completa com Ricardo Salles está disponível no canal do Canal Estado SP no YouTube.

