Piracicaba tem 12 nomes na disputa por vagas na Câmara dos Deputados
Cidade caminha para oito anos sem deputado federal de base local em exercício e não elege diretamente um nome de Piracicaba para o cargo desde 2010.
Publicado em 10 de setembro de 2026, 17:44 — Em Piracicaba

Piracicaba chega às eleições de 2026 com 12 nomes ligados ao município na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados. Em São Paulo, mais de 1,1 mil candidatos concorrem às 70 cadeiras destinadas ao Estado. O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro.
A quantidade de candidaturas locais chama atenção diante de um cenário que se prolonga há anos: Piracicaba caminha para completar oito anos consecutivos sem um deputado federal de base local em exercício em Brasília.
O último nome diretamente identificado com o município a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados foi Antonio Carlos Mendes Thame, nascido em Piracicaba, ex-prefeito da cidade e com longa trajetória política no município.
Thame foi eleito diretamente deputado federal nas eleições de 2010, para o mandato iniciado em 2011. Quatro anos depois, nas eleições de 2014, não conquistou uma das vagas como titular e ficou na condição de suplente.
Ele voltou à Câmara dos Deputados em 3 de fevereiro de 2015, como suplente, e, após períodos de afastamento e retorno, foi efetivado no mandato em 1º de janeiro de 2017. Sua passagem pela Câmara terminou em 31 de janeiro de 2019.
Por isso, Piracicaba convive atualmente com dois marcos diferentes relacionados à ausência de representação federal local.
O primeiro é que a cidade está há quase oito anos sem um deputado federal de base piracicabana em exercício, considerando o encerramento do mandato de Mendes Thame, em janeiro de 2019.
O segundo período é ainda maior: Piracicaba está há quase 16 anos sem eleger diretamente nas urnas um candidato local para deputado federal. A última eleição direta ocorreu em 2010, justamente com Mendes Thame.
Nas eleições de 2022, Piracicaba contou com 13 candidaturas ligadas ao município para a Câmara dos Deputados, mas nenhuma delas conquistou uma cadeira. Agora, em 2026, são 12 nomes na disputa, em mais uma tentativa de encerrar um jejum que atravessa diferentes eleições.
Estudo estima R$ 320 milhões não captados desde 2019
A ausência de um deputado federal de base local também passou a ser discutida pelo possível impacto na capacidade de articulação política e na busca por recursos federais para Piracicaba.
Um estudo técnico elaborado conjuntamente pela Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Simespi (Sindicato Patronal das Indústrias Metalomecânicas de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras), Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo) e Pecege (Instituto de Pesquisas e Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas) estima que Piracicaba tenha deixado de captar cerca de R$ 320 milhões entre 2019 e 2025, período posterior ao encerramento do último mandato federal de um político de base local.
O levantamento faz parte da campanha institucional e apartidária “Escolha Quem é de Piracicaba”, desenvolvida pelas quatro entidades com o objetivo de chamar atenção para a importância da representatividade política do município.
Segundo o estudo, considerando médias históricas e recentes de recursos administrados por gabinetes parlamentares, um mandato de deputado federal teria potencial médio de aproximadamente R$ 45,7 milhões por ano em emendas, incluindo emendas individuais e recursos provenientes de bancada ou comissão.
Os R$ 320 milhões apresentados no levantamento correspondem a uma estimativa do potencial acumulado de recursos entre 2019 e 2025, período analisado pelas entidades.
Impacto estimado supera meio bilhão de reais
O levantamento também projeta o impacto da representação política para os próximos anos.
Para o período de 2027 a 2030, as entidades estimam que um deputado federal e um deputado estadual poderiam movimentar, juntos, até R$ 214,48 milhões em emendas individuais ao longo de quatro anos, utilizando como referência os valores disponíveis em 2026.
Somado aos R$ 320 milhões estimados para o período anterior, o impacto financeiro potencial calculado pelo estudo chega a R$ 534,48 milhões.
No caso específico de um deputado federal, a projeção apresentada no levantamento considera aproximadamente R$ 40,2 milhões por ano, podendo alcançar R$ 160,8 milhões ao longo de um mandato de quatro anos.
Para um deputado estadual, a estimativa é de R$ 13,42 milhões por ano, chegando a R$ 53,68 milhões durante quatro anos.
As entidades ainda apresentaram uma simulação mais conservadora. Considerando que apenas 25% do potencial bruto fosse efetivamente destinado ao município, Piracicaba poderia receber aproximadamente R$ 53,62 milhões durante quatro anos, somando as parcelas hipotéticas de um representante federal e de um estadual.
Os cálculos não significam que Piracicaba teria obrigatoriamente recebido todo esse dinheiro caso tivesse um deputado federal próprio. Os números representam estimativas construídas para dimensionar o potencial de articulação, apresentação de emendas e direcionamento de recursos associado à presença de representantes políticos com vínculo direto com a cidade.
Além de Acipi, Simespi, Coplacana e Pecege, responsáveis pela ação conjunta, a campanha conta com apoio institucional da Afocapi, CDL, Ciesp, Diocese de Piracicaba, HFC, OAB – 8ª Subseção Piracicaba, Sincomércio, Sincop, Sindirpi e Uniodonto Piracicaba.
Os 12 nomes de Piracicaba na disputa federal em 2026
Em ordem alfabética, confira os candidatos, partidos e números de urna:
- Barjas Negri (PSD) – 5525
- Érica Gorga (PRD) – 2555
- Estela Piza Rossi (PDT) – 1278
- Everton Santos (PSDB) – 4503
- Luis Bena (Missão) – 1407
- Marcelo Carteiro (PT) – 1305
- Nancy Thame (PV) – 4343
- Paulo Campos (Solidariedade) – 7722
- Rai de Almeida (PT) – 1363
- Rodrigo Spada (PSD) – 5510
- Sargento Germano (MDB) – 1587
- Sérgio Pacheco / Dr. Pacheco (União Brasil) – 4415
Os candidatos disputam as vagas destinadas ao Estado de São Paulo. Embora sejam apresentados como nomes ligados a Piracicaba por seus vínculos políticos, eleitorais ou pessoais com o município, deputados federais não são eleitos exclusivamente por uma cidade. A votação ocorre em todo o Estado e as 70 cadeiras paulistas são distribuídas pelo sistema proporcional.
Doze candidatos para mais de 310 mil eleitores
Piracicaba possui população estimada em 440.835 habitantes e conta com 310.331 eleitores.
Considerando os 12 candidatos ligados à cidade na disputa federal, há, de maneira ilustrativa, aproximadamente um candidato local a deputado federal para cada 36.736 habitantes de Piracicaba.
Quando considerado apenas o eleitorado, a relação é de aproximadamente 25.861 eleitores para cada candidato federal ligado ao município.
Os números ajudam a dimensionar a quantidade de candidaturas diante do tamanho de Piracicaba e de seu eleitorado. A conta, entretanto, não representa uma divisão ou previsão de votos, já que os candidatos a deputado federal podem receber votos de eleitores dos 645 municípios do Estado de São Paulo.
Depois de quase oito anos sem um deputado federal de base local em exercício — e quase 16 anos desde a última eleição direta de um candidato piracicabano para o cargo —, as eleições de 2026 colocam novamente em discussão se Piracicaba conseguirá transformar o número de candidaturas em uma cadeira efetiva na Câmara dos Deputados.




