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LIMEIRA

Operação da PF em Limeira investiga R$2 milhões em emendas para filme sobre Bolsonaro

Mandado foi cumprido em imóvel ligado ao deputado Mario Frias, apontado como produtor de “Dark Horse”. Polícia Federal e CGU apuram possível uso irregular de recursos públicos.

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 10 de setembro de 2026, 17:38 — Em Limeira

3 min de leitura
Operação da PF em Limeira investiga R$2 milhões em emendas para filme sobre Bolsonaro

A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quinta-feira dia 10, um mandado de busca e apreensão em Limeira como parte de uma investigação que apura um possível desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares que teriam sido destinados à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ação faz parte da Operação Make Up, realizada pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União. Entre os investigados está o deputado federal Mario Frias (PL-SP), apontado como produtor do longa-metragem.

Em Limeira, o mandado foi cumprido em uma residência localizada no condomínio Residencial Terrazzo Limeira, no bairro Vila Santa Rosália. O imóvel é relacionado ao deputado.

Um morador do condomínio, que preferiu não se identificar, informou ter visto uma viatura da Polícia Federal em frente à residência por volta das 7h desta quinta-feira.

Mario Frias também aluga um imóvel na região central de Limeira, porém segundo apurações, os agentes da Polícia Federal não estiveram nesse endereço durante o cumprimento dos mandados.

Investigação sobre recursos públicos

De acordo com a Polícia Federal, a operação busca apurar um possível desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares que foram repassados, por meio de termo de fomento, a uma organização da sociedade civil.

As investigações apontam para a possível existência de uma organização formada por agentes públicos e privados. A suspeita é de que os valores recebidos tenham sido posteriormente direcionados para empresas subcontratadas de maneira irregular.

Segundo a PF, também não haveria comprovação da efetiva realização dos serviços que teriam sido contratados pelas empresas.

Ainda conforme a corporação, as tentativas de ocultar ou dissimular os supostos desvios teriam continuado até julho de 2026.

A investigação envolve recursos que, segundo as informações divulgadas sobre o caso, chegam a aproximadamente R$2 milhões relacionados ao projeto cinematográfico.

Mandados em quatro unidades da Federação

A Operação Make Up cumpre, ao todo, 49 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal.

As ordens judiciais são cumpridas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, além do Distrito Federal.

Durante o trabalho de investigação, levantamentos financeiros realizados pelos órgãos de controle identificaram movimentações de valores na ordem de centenas de milhões de reais entre empresas que estariam relacionadas ao esquema investigado.

A partir dessas informações, a PF busca esclarecer a origem e o destino dos recursos, além de identificar a participação de pessoas físicas e jurídicas eventualmente envolvidas.

Crimes investigados

A operação apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos relacionados a processos licitatórios.

As suspeitas ainda são objeto de investigação. A realização dos mandados de busca e apreensão não significa, por si só, uma condenação ou comprovação definitiva de responsabilidade dos investigados.

O objetivo da operação é reunir documentos, equipamentos e outros elementos que possam contribuir para esclarecer como os recursos foram movimentados e se houve irregularidades na aplicação das verbas públicas.

A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Federal, com apoio da CGU.

Até o momento, as informações divulgadas indicam que o caso deverá avançar para a análise do material apreendido e dos dados financeiros já identificados pelos investigadores.

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