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PF faz nova busca na casa do advogado Nelson Wilians durante investigação sobre apostas e lavagem de dinheiro

A Polícia Federal realizou hoje, quinta-feira dia 13, uma nova ação de busca e apreensão na residência do advogado Nelson Wilians, em São Paulo. A medida faz parte da Operação Arena, investigação cond

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 13 de agosto de 2026, 09:26 — Em São Paulo

5 min de leitura
PF faz nova busca na casa do advogado Nelson Wilians durante investigação sobre apostas e lavagem de dinheiro
PF faz nova busca na casa do advogado Nelson Wilians durante investigação sobre apostas e lavagem de dinheiro

A Polícia Federal realizou hoje, quinta-feira dia 13, uma nova ação de busca e apreensão na residência do advogado Nelson Wilians, em São Paulo. A medida faz parte da Operação Arena, investigação conduzida pela Justiça Federal da Paraíba que apura a possível existência de um esquema envolvendo exploração de jogos de azar, apostas esportivas e movimentações financeiras suspeitas.

Wilians está entre os 17 alvos da operação. Segundo a investigação, ele teria atuado na estrutura financeira de um grupo empresarial com origem no Nordeste e seria responsável por operações destinadas a ocultar patrimônio e recursos que, de acordo com os investigadores, teriam origem ilícita.

A ação foi autorizada pela 4ª Vara Federal da Paraíba e ocorre após o advogado também ter sido alvo, em julho, de uma operação relacionada a uma investigação sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS em São Paulo e no Paraná.

A Operação Arena tem como um dos principais focos a empresa PixBet, sediada na Paraíba. A apuração também alcança a PixStar, apontada pelos investigadores como uma empresa de fachada registrada em Curaçao, no Caribe.

De acordo com a Polícia Federal, foram identificadas transações financeiras entre as duas empresas. A suspeita é de que estruturas societárias e contas mantidas no exterior tenham sido utilizadas para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos valores movimentados pelo grupo.

Nesse contexto, a investigação aponta Nelson Wilians como um possível operador financeiro. Os investigadores suspeitam que o advogado tenha participado de mecanismos destinados a esconder ou movimentar bens relacionados ao grupo investigado.

Além das buscas, a operação prevê medidas como quebra de sigilos bancário e telemático e o bloqueio de patrimônio. Ao todo, a Justiça autorizou o sequestro de até R$ 1,1 bilhão.

As diligências ocorrem em cinco estados: Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.

A PF informou que os investigados poderão responder, de acordo com a participação individual de cada um, por crimes como evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outras infrações relacionadas ao sistema financeiro nacional.

A nova operação acontece menos de um mês depois de outra ação que atingiu empresas e pessoas ligadas ao advogado.

Em 15 de julho, uma força-tarefa do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo deflagrou uma operação para investigar um suposto esquema de comercialização de créditos tributários falsos.

A estimativa da investigação é de que a fraude pudesse envolver cerca de R$ 3,8 bilhões em créditos tributários.

Entre os alvos estavam integrantes de um núcleo relacionado ao grupo econômico ligado a Nelson Wilians. O escritório do advogado também foi alvo de buscas. A advogada Anne Wilians, esposa e sócia de Nelson, apareceu entre os investigados. Em Londrina, a apuração também atingiu a advogada Mayra de Paula, apontada na investigação como uma das pessoas ligadas ao advogado.

Segundo as autoridades, o esquema teria utilizado empresas sem atividade efetiva, inativas ou sem estrutura suficiente para realizar as operações apresentadas ao Fisco.

Essas empresas seriam usadas para produzir documentos fiscais e criar uma aparência de existência de créditos de ICMS. Posteriormente, os créditos seriam oferecidos a outras companhias, principalmente pequenas e médias empresas.

A suspeita é de que os créditos comercializados não correspondessem a valores tributários legítimos.

A investigação aponta que os envolvidos apresentavam aos possíveis compradores documentos e informações destinadas a conferir aparência legal às operações.

Em alguns casos, os créditos teriam sido relacionados a direitos supostamente adquiridos de processos envolvendo massas falidas ou decisões judiciais antigas. Também são investigados documentos que teriam sido atribuídos indevidamente a agentes do Fisco.

Outra prática investigada envolve a criação de registros que simulavam o pagamento de multas tributárias. Segundo as autoridades, seriam apresentadas telas e documentos que davam a impressão de que os débitos haviam sido quitados, embora os pagamentos não tivessem ocorrido.

Escritórios de advocacia, empresas de consultoria e intermediadoras também aparecem na apuração. De acordo com os investigadores, essas estruturas teriam participação na captação de clientes, elaboração de contratos e produção de pareceres destinados a sustentar juridicamente as operações.

O ICMS é um dos principais tributos estaduais e incide, entre outras situações, sobre a circulação de mercadorias, determinados serviços de transporte e serviços de comunicação. Por isso, fraudes relacionadas ao imposto podem provocar impacto significativo na arrecadação dos estados.

A apuração do CIRA/SP alcançou centenas de empresas. Foram abertas 874 ordens de serviço fiscal para examinar aproximadamente 9.960 lançamentos considerados suspeitos, envolvendo mais de 850 empresas.

Até o momento, a Secretaria da Fazenda informou ter realizado procedimentos fiscais que resultaram em autos de infração contra 752 empresas.

Os investigadores afirmam que a apuração busca diferenciar empresas que teriam participado conscientemente das irregularidades daquelas que eventualmente tenham adquirido os créditos sem saber que poderiam ser fraudulentos.

Em manifestação divulgada após a investigação sobre os créditos de ICMS, o escritório Nelson Wilians Advogados afirmou que as operações mencionadas pelas autoridades eram administradas exclusivamente pelo escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica e negou a existência de vínculo societário ou de controle com o NWADV.

Segundo a defesa, ao identificar inconsistências, a parceria foi encerrada e os clientes foram comunicados.

Sobre a ação realizada nesta quinta-feira, o escritório afirmou que recebeu os agentes públicos, colaborou com as autoridades e permanece disponível para prestar esclarecimentos.

A defesa também reafirmou seu compromisso com a legalidade, a transparência, a ética e o respeito ao devido processo legal.

A Alpha Group, que também aparece na investigação relacionada aos créditos tributários, declarou ter recebido com surpresa a inclusão no procedimento e negou qualquer participação em irregularidades fiscais ou criminais. A empresa afirmou ainda estar à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

As investigações seguem em andamento e, até o momento, não há condenação dos envolvidos. As responsabilidades deverão ser analisadas individualmente ao longo da apuração.

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