Parque do Moinho terá investimento estimado em R$ 41,3 milhões
Reassentamento das famílias e impactos da reurbanização também entram no debate.
Publicado em 30 de outubro de 2026, 16:25 — Em São Paulo

O centro de São Paulo poderá ganhar um novo espaço público em uma área historicamente marcada por ocupação e conflitos sociais. O Governo do Estado publicou o edital de licitação para implantação do Parque do Moinho, no terreno da antiga Favela do Moinho, em Campos Elíseos. O investimento estimado é de R$ 41,3 milhões, e a entrega das propostas pelas empresas interessadas está prevista para 19 de novembro.
Conduzido pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), o processo prevê contrato de 24 meses a partir da assinatura. O valor divulgado é uma referência para a concorrência, não uma despesa já realizada ou o preço definitivo da obra.
Com aproximadamente 61,3 mil metros quadrados, o parque deverá oferecer quadras poliesportivas, espaços para basquete e esportes de areia, pista de skate, playground, academia ao ar livre e percursos para caminhadas e bicicletas. Também estão previstos espaços culturais e educativos, áreas verdes e melhorias na iluminação e no paisagismo.
A implantação ocorrerá por etapas. Nas fases posteriores, o projeto contempla horta urbana, viveiro de espécies nativas e pátio de compostagem. A proposta é ampliar as opções de lazer, recuperar ambientalmente o terreno e contribuir para a requalificação da região central.
Reassentamento e mudanças na região
A iniciativa sucede o processo de reassentamento da antiga comunidade. Segundo dados divulgados pela CDHU em setembro de 2026, 851 famílias foram atendidas pelo programa habitacional, das quais 645 já estavam em imóveis definitivos. As demais receberam alternativas habitacionais conforme as condições de atendimento.
Em julho de 2026, a área, que pertencia à União, foi cedida ao Governo de São Paulo por meio de acordo com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), permitindo avançar com o projeto.
Outra intervenção prevista para a região é a implantação de uma estação ferroviária em terreno vizinho. A proposta busca ampliar a integração do transporte público, mas depende de procedimentos próprios de transferência de áreas e desapropriação. Portanto, a estação não está incluída na licitação do parque.
O desafio vai além das obras
Apesar da perspectiva de criação de um novo espaço de lazer, a transformação da antiga área da Favela do Moinho também exige atenção às questões sociais. O reassentamento das famílias não encerra o debate sobre as condições de moradia, a adaptação aos novos bairros e a continuidade do acompanhamento habitacional.
Também será fundamental fiscalizar os gastos, acompanhar os prazos de execução e garantir recursos para a manutenção do futuro parque, além de transparência nas decisões do poder público.
A requalificação urbana precisa considerar não apenas a infraestrutura e a valorização imobiliária, mas também os direitos sociais e a inclusão da população.
Afinal, como revitalizar uma região historicamente vulnerável sem apagar sua memória e deixar em segundo plano as famílias que construíram sua história naquele território? O Parque do Moinho representa uma nova etapa para o centro paulistano, mas seu sucesso deverá ser avaliado tanto pela qualidade da obra quanto por seus resultados sociais.




