Alcolumbre articula reeleição no Senado, mas enfrenta resistência
Apoio de cinco partidos ainda não garante os votos necessários, enquanto PL avalia candidatura própria.
Publicado em 30 de outubro de 2026, 11:43 — Em São Paulo

A disputa pela presidência do Senado em 2027 já movimenta os bastidores de Brasília. Em busca de mais um mandato à frente da Casa, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) intensificou as articulações políticas e tem ampliado o diálogo com diferentes forças partidárias. Apesar dos avanços nas negociações, sua candidatura ainda esbarra em desconfianças tanto na base governista quanto entre parlamentares da oposição.
O principal ponto de tensão está relacionado à possibilidade de um eventual perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A pauta provoca desconforto entre aliados do governo, que veem com ressalvas qualquer aproximação nesse sentido. Do outro lado, setores da direita demonstram cautela e condicionam eventual apoio à apresentação de resultados concretos nas negociações políticas.
Mesmo diante desse cenário, Alcolumbre demonstra confiança na própria capacidade de articulação. Interlocutores do senador afirmam que ele acredita já reunir votos suficientes para conquistar a recondução na eleição marcada para 1º de fevereiro de 2027. A estratégia passa por atrair dissidências da oposição e consolidar apoios individuais, sem necessariamente depender de um acordo com todo o bloco oposicionista.
Até agora, MDB, PSD e PT manifestaram apoio à permanência do atual presidente. Na terça-feira (27/10), União Brasil e PP também formalizaram adesão ao projeto de reeleição. Juntas, as cinco legendas deverão reunir 33 cadeiras na próxima legislatura, número inferior aos 41 votos necessários para garantir a vitória.
O cenário ganha ainda mais relevância diante da composição que o Senado terá a partir de 2027. O PL deverá ocupar a maior bancada, com 29 parlamentares, superando em 19 cadeiras a segunda maior força partidária, o PT. Por isso, a posição da legenda bolsonarista poderá ter peso decisivo na disputa.
A bancada do PL deve se reunir na próxima quarta-feira (4/11) para discutir a possibilidade de lançar um candidato próprio. Entre os nomes cogitados está o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Outra possibilidade mencionada nos bastidores é a senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Nas próximas semanas, Alcolumbre pretende intensificar as conversas com o PL e buscar novas adesões. Entretanto, o apoio anunciado pelas direções partidárias não representa, necessariamente, uma transferência automática de votos. A escolha para a presidência do Senado é individual e secreta, o que abre espaço para dissidências e torna as alianças formais apenas um indicativo da força de cada candidatura.
Mais do que uma disputa por cargos, a eleição coloca em evidência o papel político do Senado e os limites das alianças construídas em Brasília. Em um ambiente marcado por interesses divergentes, a capacidade de diálogo do futuro presidente será tão importante quanto o número de votos conquistados.
Cabe, portanto, à sociedade acompanhar de perto essas articulações e questionar quais compromissos estão sendo assumidos em nome da governabilidade. Afinal, a presidência do Senado não deve ser tratada apenas como resultado de acordos entre partidos, mas como uma posição de responsabilidade institucional. Até que ponto as negociações políticas refletem os interesses da população? E quais critérios devem orientar a escolha de quem estará à frente de uma das instituições mais importantes da República? São questões que merecem ultrapassar os corredores do Congresso e ocupar o centro do debate público.




