Câmara Municipal de São Paulo analisa pedido de impeachment de Ricardo Nunes e vereador Rubinho Nunes preside comissão
Vereadores do PSol acusam prefeito de descumprir determinação da Justiça Eleitoral sobre a frota de ônibus e de convocar servidores para atuar na campanha de Flávio Bolsonaro; relatório deve ser apreciado em 03 de novembro.
Publicado em 30 de outubro de 2026, 11:06 — Em São Paulo

A Câmara Municipal de São Paulo iniciou a análise do pedido de impeachment do prefeito Ricardo Nunes (MDB), com a instalação da comissão especial responsável por avaliar a denúncia. O vereador Rubinho Nunes (União Brasil) foi eleito presidente do colegiado, enquanto Major Palumbo (PP) ficará encarregado da relatoria.
A primeira reunião ocorreu na tarde de ontem, quinta-feira dia 29. A próxima está prevista para terça-feira, dia 03, quando os integrantes devem apreciar o relatório sobre a admissibilidade do pedido.
A denúncia foi protocolada pelos vereadores Amanda Paschoal, Silvia da Bancada Feminista e Celso Giannazi, todos do PSol. Os parlamentares apontam possíveis irregularidades relacionadas ao transporte público no segundo turno das eleições presidenciais e à atuação de servidores comissionados durante a campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Quais são as acusações contra Ricardo Nunes?
Um dos pontos centrais do pedido é o suposto descumprimento de uma determinação da Justiça Eleitoral que estabeleceu a disponibilização de 100% da frota operacional de ônibus da capital paulista no domingo do segundo turno das eleições presidenciais.
Os vereadores também mencionam a denúncia de que Ricardo Nunes teria convocado servidores comissionados da administração municipal para trabalhar em favor da campanha de Flávio Bolsonaro.
As acusações fazem parte da representação apresentada pelos parlamentares e serão consideradas no procedimento de análise. Nesta etapa, a comissão deverá avaliar se a denúncia pode prosseguir.
Rubinho Nunes e Ricardo Nunes têm histórico de divergências
A escolha de Rubinho Nunes para presidir a comissão chama a atenção pelo histórico de divergências políticas com o prefeito.
Embora integre a base aliada do governo municipal, o vereador apoiou Pablo Marçal na disputa pela Prefeitura de São Paulo nas eleições de 2024, em vez de apoiar a candidatura de Ricardo Nunes.
Além do presidente e do relator, integram a comissão os vereadores Luana Alves (PSol), Hélio Rodrigues (PT), Kenji Ito (Podemos), Sandra Tadeu (PL) e Sandra Santana (MDB).
A composição reúne cinco parlamentares de partidos da base governista e dois representantes da oposição. Diante dessa distribuição, a expectativa é de que a denúncia seja rejeitada pelo colegiado.
O que acontece agora com o pedido de impeachment?
A comissão tem até dez dias para analisar a admissibilidade da denúncia.
Caso o pedido não seja admitido, será arquivado. Se os vereadores aprovarem seu prosseguimento, a matéria ainda precisará ser submetida à votação do plenário da Câmara Municipal.
Para avançar nessa etapa, são necessários 33 votos favoráveis.
Portanto, a instalação da comissão e o início da análise não significam que o impeachment tenha sido aprovado. O andamento do caso dependerá do parecer do colegiado e, se houver admissibilidade, da votação dos vereadores em plenário.
Protestos contra Ricardo Nunes em São Paulo
A movimentação na Câmara Municipal ocorre paralelamente a manifestações contra Ricardo Nunes por sua atuação política em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro durante a campanha eleitoral.
Na quarta-feira, dia 28, manifestantes realizaram um ato em frente à sede da Prefeitura de São Paulo.
Outras duas manifestações estavam previstas para a região central da capital: na sexta-feira, dia 30, na Praça Roosevelt, e no sábado, dia 31, na Praça Padre Manuel da Nóbrega, em frente ao Pateo do Collegio.
A análise do pedido de impeachment e a realização dos protestos colocam a atuação política do prefeito no centro do debate municipal. Os próximos desdobramentos dependerão da decisão da comissão especial e das etapas previstas no Legislativo paulistano.




