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Política · Canal Estado SP

Flávio Bolsonaro deixa o Brasil e prepara defesa em três processos no STF

Senador deixa o país e articula estratégia para enfrentar três investigações no Supremo.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 30 de outubro de 2026, 14:40 — Em São Paulo

3 min de leitura
Flávio Bolsonaro deixa o Brasil e prepara defesa em três processos no STF
Flávio Bolsonaro deixa o Brasil e prepara defesa em três processos no STF

A permanência de Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos deve abrir uma nova etapa de sua trajetória política e judicial. Derrotado na disputa presidencial, o senador agora enfrenta três processos no Supremo Tribunal Federal (STF) e deve dedicar os próximos meses à organização de sua defesa, em meio ao avanço de investigações que envolvem suspeitas de diferentes irregularidades.

Ao contrário do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, Flávio estruturou uma equipe de advogados para conduzir sua estratégia jurídica. A prioridade é contestar as medidas judiciais em andamento e evitar novos desdobramentos desfavoráveis no Supremo.

A saída do parlamentar do Brasil ocorreu na noite da última terça-feira, depois de um dia marcado por informações contraditórias e versões divergentes divulgadas por aliados sobre seu destino. Acompanhado da mulher e das duas filhas, ele embarcou inicialmente para a Argentina, passou pelo Equador e seguiu para Miami, nos Estados Unidos.

A viagem aconteceu após uma determinação do Supremo para que seus passaportes fossem entregues às autoridades. A medida foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes no contexto da investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro. O caso também envolve o advogado Willer Tomaz e possíveis conexões entre empresas ligadas a ele e plataformas de apostas esportivas.

Já em território norte-americano, Flávio pretende recorrer ao governo de Donald Trump para solicitar asilo político. A estratégia da defesa deve se apoiar em alegações de perseguição política, ameaças e supostas violações de direitos fundamentais no Brasil. Os advogados também trabalham para retirar a investigação sobre lavagem de dinheiro da relatoria de Moraes, buscando transferi-la ao ministro André Mendonça.

As frentes judiciais, porém, não se limitam a esse episódio. O senador é alvo de três procedimentos que envolvem suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, acusações de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e indícios de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Uma das investigações, aberta em julho, apura pagamentos realizados por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, relacionados à produção de Dark Horse, obra cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O procedimento está sob responsabilidade de André Mendonça.

Em outra frente, o parlamentar é investigado por uma publicação feita nas redes sociais em 3 de janeiro deste ano. Na ocasião, atribuiu a Lula a prática de crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A declaração motivou a apuração de uma possível calúnia contra o presidente da República.

O conjunto de investigações coloca Flávio Bolsonaro diante de um cenário jurídico complexo, com repercussões que ultrapassam sua atuação parlamentar e podem influenciar seu futuro político. A decisão de permanecer nos Estados Unidos e a tentativa de obter proteção internacional acrescentam uma dimensão diplomática a um conflito que, até então, estava concentrado nas instituições brasileiras.

O episódio também levanta questões importantes sobre os limites entre perseguição política, responsabilização judicial e respeito às garantias individuais. Em uma democracia, críticas às decisões do Judiciário são legítimas, assim como o direito à ampla defesa deve ser assegurado a qualquer cidadão, independentemente de sua posição política. Entretanto, a existência de investigações não representa, por si só, uma condenação, e eventuais acusações precisam ser comprovadas.

Diante disso, cabe à sociedade acompanhar os desdobramentos com atenção e espírito crítico: até que ponto a busca por proteção no exterior representa uma estratégia jurídica legítima ou uma tentativa de deslocar o debate sobre responsabilidades para o campo político? E como preservar a credibilidade das instituições sem permitir que o combate à impunidade se transforme em instrumento de perseguição? O equilíbrio entre Justiça, direitos individuais e transparência institucional é essencial para que a democracia não seja refém de disputas de poder.

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