MPSP abre inquérito contra Lucas Pavanato por injúria e discriminação após fala sobre minorias
Deputado federal eleito por São Paulo afirmou que colocaria minorias “no devido lugar” em entrevista à Jovem Pan; defesa questiona atuação do promotor responsável pela investigação.
Publicado em 27 de outubro de 2026, 09:18 — Em São Paulo

O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito para investigar Lucas Pavanato (PL), vereador da capital paulista e deputado federal eleito por São Paulo, por suspeita de injúria e discriminação. A investigação que foi aberta ontem, segunda-feira dia 26, tem como base declarações feitas pelo parlamentar em entrevista à Jovem Pan, na qual afirmou que colocaria as minorias “no devido lugar”.
A entrevista foi concedida no dia 06, dois dias após o primeiro turno das eleições. Na ocasião, Pavanato comentou a reação de eleitores de esquerda aos resultados eleitorais e afirmou que seu grupo político representava uma ameaça aos adversários.
“Saber que vocês estão insatisfeitos com a votação da Eduarda (Campopiano), saber que vocês estão preocupados com a minha votação, é exatamente o que eu espero. Porque realmente nós somos uma ameaça pra vocês. Realmente nós temos uma bancada agora forte pra enfrentar a ideologia hegemônica de vocês. Vocês são a minoria, e como minoria a gente vai colocar vocês no devido lugar”, disse o parlamentar.
O procedimento busca apurar se as declarações configuram práticas de injúria e discriminação. Segundo informações divulgadas pelo UOL, o Ministério Público também aponta a possibilidade de incitação à hostilidade e avalia se as falas podem caracterizar discurso de ódio contra grupos sociais.
Pavanato afirma que se referia à representação política
Em reportagem publicada anteriormente pelo Metrópoles, Pavanato afirmou que, ao utilizar o termo “minoria”, estava se referindo à representação da esquerda nas bancadas parlamentares, e não às minorias sociais.
A declaração ocorreu no contexto da repercussão dos resultados eleitorais e da eleição de Pavanato para a Câmara dos Deputados, além da eleição de Eduarda Campopiano (PL) para a Assembleia Legislativa de São Paulo.
A interpretação apresentada pelo parlamentar integra o contexto público do caso, enquanto o Ministério Público apura as circunstâncias e o possível enquadramento jurídico das declarações.
Defesa questiona atuação do promotor
O inquérito está sob responsabilidade do promotor Ricardo Manuel Castro. Em nota enviada ao Metrópoles, a assessoria de Pavanato questionou a imparcialidade do responsável pela investigação.
Segundo a manifestação, a defesa considera que o promotor possui alinhamento ideológico à esquerda e atua em pautas que, na avaliação da equipe jurídica, atenderiam a agendas ideológicas.
A assessoria informou ainda que a equipe jurídica de Pavanato apresentou uma representação contra o promotor junto ao Conselho Nacional do Ministério Público. De acordo com a nota, a medida envolve suspeitas de uso do cargo para perseguição política e vazamento de documentos à imprensa.
A defesa também afirmou que, até o momento da manifestação enviada ao Metrópoles, o parlamentar ainda não havia sido formalmente citado no âmbito do inquérito.
As acusações contra o promotor foram apresentadas pela assessoria do parlamentar e não devem ser tratadas como fatos comprovados.
Investigação não representa condenação
A abertura do inquérito tem como objetivo apurar os fatos relacionados às declarações do parlamentar e verificar se há elementos que sustentem as suspeitas investigadas.
A instauração do procedimento não significa que Lucas Pavanato tenha sido condenado ou que sua responsabilidade esteja comprovada. Eventuais desdobramentos dependerão da apuração e da análise dos elementos reunidos pelas autoridades competentes.




