Flávio sai na frente e muda o jogo eleitoral
Lula admite resultado inesperado e mira os eleitores que não foram às urnas.
Publicado em 5 de outubro de 2026, 10:26 — Em São Paulo

O primeiro turno das eleições de 2026 terminou com um resultado que alterou o roteiro esperado da disputa presidencial. Com a apuração avançada, o senador Flávio Bolsonaro (PL) apareceu à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), levando para o segundo turno uma vantagem de 2,74 pontos percentuais. O desempenho coloca os dois candidatos novamente diante de uma disputa decisiva, marcada agora por um cenário diferente daquele projetado ao longo da campanha.
Em seu primeiro pronunciamento após a votação, Lula reconheceu que esperava encerrar a eleição já neste domingo. </b>
“O resultado, às vezes, é inesperado. A gente nunca consegue tudo aquilo que a gente queria, afirmou.”
O presidente comparou o momento a outras eleições de sua trajetória política e ressaltou que a segunda etapa representa uma nova disputa, com espaço para buscar os votos que faltaram no primeiro turno.
Lula também classificou o segundo turno como “a hora da prova dos 9” e direcionou críticas ao adversário. Segundo o petista, enquanto sua trajetória política já é conhecida pelos eleitores, haveria, “do outro lado”, incertezas relacionadas à biografia de Flávio Bolsonaro. A declaração inaugura uma nova fase da campanha, na qual os dois candidatos terão de apresentar argumentos capazes de ampliar suas bases e conquistar eleitores que não definiram seu voto ou que ficaram fora da votação.
Outro dado relevante está justamente fora das urnas. Cerca de 15,1 milhões de eleitores não compareceram ao primeiro turno, número que representa aproximadamente 20,9% do eleitorado. Lula afirmou que pretende dialogar com esse contingente e transformar a mobilização dos ausentes em uma das frentes de sua estratégia para o segundo turno.</b>
O resultado, porém, não pode ser analisado apenas pela diferença entre os dois primeiros colocados. A eleição terminou com milhões de votos distribuídos entre diferentes candidaturas e uma parcela expressiva do eleitorado sem participação. Além disso, a própria dinâmica da apuração mostrou como uma disputa considerada apertada poderia produzir uma liderança diferente da esperada por parte das projeções divulgadas antes da votação. Na véspera, pesquisas mostravam Lula numericamente à frente em alguns levantamentos, enquanto outros apontavam empate técnico ou vantagem de Flávio, evidenciando a proximidade da disputa.
Agora, o calendário eleitoral estabelece uma nova batalha: o segundo turno está marcado para 25 de outubro. A partir daqui, cada voto ganha outro peso e a capacidade de diálogo com os eleitores que ainda não escolheram um lado passa a ser central.
Mais do que uma simples continuidade do primeiro turno, a nova etapa coloca os candidatos diante de uma pergunta que ultrapassa a matemática eleitoral: que projeto de país será capaz de convencer um eleitorado dividido, parte dele distante das urnas e outra parte ainda em busca de respostas?
O inesperado desta primeira etapa mostra que nenhuma candidatura pode tratar o resultado como previamente definido. O segundo turno será, sobretudo, um novo momento de escolha e caberá ao eleitor avaliar propostas, trajetórias, argumentos e compromissos apresentados pelos dois candidatos antes de decidir o futuro político do país.</u>




