"Fizemos o Pix da saúde e o genérico no peito", relembra Barjas Negri ao propor bancada da saúde no Congresso
Ex-ministro detalha bastidores da criação do repasse Fundo a Fundo no SUS, a parceria com José Serra e explica por que a tecnologia encarece a medicina pública.
Publicado em 3 de agosto de 2026, 18:16 — Em São Paulo

Em um momento em que a gestão hospitalar e as filas do SUS dominam o debate político regional, o ex-ministro da Saúde Barjas Negri (PSD) resgatou bastidores de reformas históricas que ajudou a implementar no país para defender a criação de uma "bancada da saúde" em Brasília.
Em entrevista ao Canal Estado SP, o gestor revelou como viabilizou a descentralização de recursos federais para prefeituras e filantrópicas sem a burocracia dos antigos convênios federais.
“"Quando cheguei ao Ministério, tinha uma lei aprovada que criava a transferência de recursos Fundo a Fundo. Fui na AGU e perguntei se podia aplicar. Introduzimos isso para todos os municípios do Brasil. Isso é uma espécie de Pix. É o Pix da saúde. É esse dinheiro que paga a Santa Casa e o Hospital da Cana hoje" revelou.
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Barjas também relembrou a arrancada do Programa Saúde da Família (PSF). Entre meados dos anos 90 e o fim de sua gestão federal, o programa saltou de parcas 328 equipes para 16 mil equipes em todo o país.
Outro ponto alto da entrevista foram as memórias sobre a lei dos Medicamentos Genéricos, desenvolvida ao lado do então ministro José Serra. Barjas contou a reação dos empresários do setor farmacêutico na época:
“"Lembro que em um seminário em Brasília um empresário me pegou pela mão e disse: 'Secretário, estou cansado de seminário, todo mundo fala e não faz. Esse negócio é pra valer?'. Eu respondi: 'Você não conhece o Serra nem a mim. Se investir, nós vamos fazer'. Hoje ele é um dos maiores produtores de genéricos do país", contou.
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Economista de formação e ex-professor de Economia Industrial, Barjas apresentou um conceito que fundamenta sua tese de que o SUS é cronicamente subfinanciado e precisa de mais orçamento da União:
“"Na mecânica ou no transporte, a tecnologia aumenta a produtividade e reduz o custo. Mas isso não vale para a saúde. A tecnologia na saúde aumenta o custo. A cada equipamento, droga ou vacina nova, é um custo adicional. O SUS atende 75% da população brasileira e não dá para gerir a saúde cortando verba de 25% para 21% do orçamento municipal, como algumas prefeituras vêm fazendo", finalizou.
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