Campinas foi base aérea na Revolução de 1932
Área de Viracopos e Campo dos Amarais serviram aos constitucionalistas
Publicado em 9 de julho de 2026, 08:40 — Em Campinas

Campinas desempenhou papel estratégico durante a Revolução Constitucionalista de 1932, ao abrigar bases aéreas utilizadas pelos paulistas que lutaram contra o governo de Getúlio Vargas. As áreas que hoje correspondem ao Aeroporto Internacional de Viracopos e ao Campo dos Amarais foram empregadas como pontos de apoio para as operações aéreas do movimento, que completa 92 anos.
A Revolução Constitucionalista teve início em 9 de julho de 1932 e encerrou-se com a rendição do Exército Constitucionalista em 2 de outubro do mesmo ano. O movimento foi liderado pelo estado de São Paulo e exigia o fim do governo ditatorial de Vargas, além da convocação de eleições e da elaboração de uma constituição para o país.
O jornalista Luiz Roberto Saviani Rey, autor do livro 'O Menino Herói da Guerra Paulista - O Bombardeio de Campinas', publicado em 2014, detalhou a importância da cidade no conflito. Segundo ele, o comando paulista estava instalado no Largo São Sebastião, no centro de Campinas, e utilizou o espaço de Viracopos intensamente entre julho e setembro de 1932 para operações aéreas do movimento constitucionalista.
De acordo com dados da Força Aérea Brasileira, os constitucionalistas dispunham de quatro a seis aeronaves, o que tornava as bases de apoio indispensáveis para realizar reparos e reabastecer os aviões em campo. Campinas, já naquela época uma das cidades de maior influência do estado, reunia condições logísticas favoráveis, incluindo ferrovias e espaços propícios para pouso e decolagem.
À época do conflito, nenhuma das duas áreas funcionava oficialmente como aeroporto. Viracopos havia sido fundado em 1930, mas só foi homologado em 1960. O marco formal ocorreu em 1946, quando o prefeito Joaquim de Castro Tibiriçá assinou o decreto que oficializou o terminal. Já o Campo dos Amarais foi inaugurado em 1939, também após o período da revolução. O legado militar da cidade, portanto, antecede a formalização das duas estruturas aeroportuárias que moldariam a aviação regional.



