Barjas Negri defende pacto pela saúde, voto distrital e retomada da representação de Piracicaba em Brasília
Em entrevista ao Política em Pauta, ex-prefeito e ex-ministro apontou que a região perdeu peso em Brasília, criticou a alta rotatividade na Saúde municipal e defendeu o voto distrital.
Publicado em 3 de agosto de 2026, 18:11 — Em São Paulo

Há quase dez anos sem eleger um deputado federal, a região de Piracicaba tem pago um preço alto pela falta de articulação direta na Capital Federal. A avaliação é do ex-ministro da Saúde e três vezes prefeito da cidade, Barjas Negri (PSD), em entrevista concedida ao programa Política em Pauta, do Canal Estado SP, sob o comando de Juliana Salto.
Para Barjas, a ausência de bancada própria afeta diretamente a economia e a infraestrutura local. Como exemplo, citou a recente crise tarifária com o mercado norte-americano, que atinge em cheio o parque industrial local.
“"Qual foi o município mais prejudicado com a tarifa norte-americana? Piracicaba. Mais de 1 bilhão de dólares das exportações piracicabanas vão ter algum problema. Piracicaba exporta para os Estados Unidos mais que São Paulo e Guarulhos, e não tem em Brasília um representante para discutir no Ministério do Comércio ou na Comissão de Relações Exteriores", cobrou.
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Com a autoridade de quem comandou o Ministério da Saúde no governo FHC, o economista comentou o cenário da saúde pública regional. Barjas destacou que o Hospital Regional — projetado por ele para 220 leitos — opera hoje com apenas 132, dependendo de pactuação orçamentária entre Ministério e Estado para expandir o atendimento a 25 municípios.
Ele também não poupou críticas à falta de continuidade administrativa nas prefeituras da região.
“"Piracicaba teve seis secretários de saúde nos últimos cinco anos. Quando você tem seis secretários em cinco anos, você não tem um bom secretário, porque leva seis meses só para aprender como funciona a máquina e montar a equipe", disparou.
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Causando um contraponto ao pessimismo sobre o fechamento de vitrines no Centro de Piracicaba, o ex-prefeito apresentou uma leitura analítica baseada em indicadores econômicos. Segundo Barjas, nos últimos cinco anos a economia brasileira cresceu em média 3% ao ano e a cidade acumulou o saldo de 23 mil empregos formais gerados.
“"Fechou loja no Centro? Fechou. Mas o pessoal não conta as que abriram, quem foi para a internet ou quem migrou para os corredores comerciais dos bairros, como nas avenidas São Paulo, Rio das Pedras ou Nilo Peçanha. O saldo final ainda é positivo", ponderou.
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Convocado pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, para disputar uma vaga no Congresso, Barjas reforçou a defesa do voto distrital como prioridade para evitar que a Região Metropolitana de Piracicaba, com 1,5 milhão de habitantes, fique "órfã" no Congresso.
“"Se nós tivéssemos o voto distrital, daria para eleger de três a quatro deputados federais só na nossa região. Hoje, se Limeira não eleger ninguém e Piracicaba não eleger ninguém, 1,5 milhão de pessoas ficam sem voz" concluiu.
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