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ANPD manda Discord suspender lives no Brasil após morte de adolescente

Caso com menina de 13 anos reacende debate sobre segurança de menores.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 13 de agosto de 2026, 10:47 — Em São Paulo

2 min de leitura
ANPD manda Discord suspender lives no Brasil após morte de adolescente
ANPD manda Discord suspender lives no Brasil após morte de adolescente

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou nesta quarta-feira (12) que o Discord suspenda, no Brasil, sua ferramenta de transmissões ao vivo. A plataforma terá três dias úteis para cumprir a medida, que permanecerá em vigor até que sejam comprovadas ações efetivas para proteger crianças e adolescentes.

A decisão foi tomada após a morte de uma adolescente de 13 anos, que, segundo as investigações, teria sido induzida à automutilação e ao suicídio durante transmissões realizadas na plataforma. A ANPD apontou falhas na prevenção e no combate a conteúdos relacionados à violência, automutilação e incentivo ao suicídio.

A restrição não significa o bloqueio completo do Discord. A determinação atinge principalmente a função de transmissões ao vivo e recursos equivalentes de compartilhamento de vídeos. A agência também cobra mecanismos mais eficazes de proteção e verificação de idade.

Caso reacendeu pressão de Janja

O episódio ganhou repercussão nacional e levou a primeira-dama Janja Lula da Silva a defender publicamente a retirada do Discord do ar no Brasil. A manifestação ocorreu após o caso envolvendo a adolescente e aumentou a pressão sobre autoridades para que a plataforma adotasse medidas mais rigorosas de proteção aos menores.

A ANPD, porém, optou por uma medida específica: em vez de retirar o aplicativo inteiro do ar, restringiu uma das ferramentas consideradas de maior risco. Segundo a agência, as transmissões ao vivo apresentam dificuldades adicionais de fiscalização e podem permitir que conteúdos graves circulem em tempo real.

O Discord afirmou considerar a decisão “prematura” e disse colaborar com as autoridades brasileiras. A empresa também declarou que não tolera violência e que já havia desativado o servidor privado relacionado ao caso.

A plataforma ainda pode recorrer da decisão. Caso sejam confirmadas violações ao ECA Digital, a empresa poderá sofrer outras sanções, incluindo multas que podem chegar a R$ 50 milhões por infração.

Enfim, a decisão coloca novamente em discussão até onde deve ir a responsabilidade das plataformas digitais diante de crimes cometidos em seus ambientes.

A proteção de crianças e adolescentes exige respostas rápidas, mas também levanta questões sobre fiscalização, responsabilidade das empresas e limites de intervenções estatais. O caso do Discord mostra que, diante de uma tragédia, o desafio não é apenas retirar uma ferramenta do ar, mas impedir que ambientes digitais sejam utilizados para colocar menores em situações de risco.

A pergunta que permanece é: As plataformas devem ser responsabilizadas apenas depois que uma tragédia acontece ou precisam assumir uma postura preventiva, com mecanismos capazes de identificar e interromper situações de perigo antes que o dano seja irreversível?

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