Vereador Senival Moura pede licença da Câmara de São Paulo enquanto está preso por suspeita de ligação com o PCC
Parlamentar do PT solicitou afastamento de 31 dias; investigação apura possível esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a empresa de transporte público Transunião.
Publicado em 4 de novembro de 2026, 15:58 — Em São Paulo

O vereador Senival Moura (PT) solicitou licença de 31 dias da Câmara Municipal de São Paulo enquanto permanece preso preventivamente no âmbito de uma investigação que apura possíveis conexões entre o Primeiro Comando da Capital e a empresa de transporte público Transunião. No requerimento, o parlamentar justificou o afastamento pela necessidade de tratar de assuntos particulares.
O pedido foi lido durante a sessão de ontem, terça-feira dia 03, e estabelece que a licença tenha validade retroativa a 29 de outubro. A movimentação também pode provocar mudanças na composição do Legislativo municipal, antecipando a possibilidade de posse do primeiro suplente da federação PT, PCdoB e PV, o advogado Manoel Del Rio.
A entrada de Del Rio já estava prevista para fevereiro do próximo ano, quando Luna Zarattini deverá assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados e, consequentemente, deixar sua vaga na Câmara Municipal de São Paulo.
Del Rio possui experiência anterior no Legislativo paulistano. Ele exerceu o mandato por alguns dias em 2018 e voltou à Câmara na condição de suplente, permanecendo por dois anos, entre 2023 e 2024. Caso continue no cargo até a saída de Luna Zarattini, o próximo suplente, Professor Claudio Fonseca (PCdoB), também poderá assumir uma cadeira.
Nova prisão de Senival ocorreu após conclusão de relatório policial
Senival foi preso na manhã de 28 de outubro, durante o avanço da Operação Última Parada. A investigação apura um possível esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, que teria utilizado a estrutura da Transunião, uma das empresas responsáveis pela operação do transporte coletivo na capital paulista.
O parlamentar está em seu sexto mandato na Câmara Municipal e já havia sido preso anteriormente, em 25 de junho, durante uma operação conjunta do Departamento Estadual de Investigações Criminais e do Ministério Público de São Paulo.
Naquela ocasião, ele permaneceu detido até 05 de agosto, quando obteve liberdade por decisão da desembargadora Carla Rahal Benedetti, da 11ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo.
A nova prisão foi solicitada depois que o relatório final da investigação foi encaminhado à Justiça. Tanto a Polícia Civil quanto o Ministério Público pediram a prisão preventiva dos cinco alvos iniciais e solicitaram a inclusão de outras duas pessoas na apuração.
Segundo as autoridades, há indícios de que Senival seria o proprietário não declarado da Transunião, além de supostamente participar de operações financeiras destinadas à lavagem de dinheiro para a organização criminosa. Essas suspeitas são objeto da investigação e ainda dependem de esclarecimento no âmbito judicial.
Defesa de Senival Moura nega ligação com o PCC
A defesa do vereador rejeita as acusações e afirma que Senival não possui ligação com organização criminosa nem participação em qualquer esquema de lavagem de dinheiro.
Os advogados também questionam os fundamentos utilizados para justificar a prisão preventiva e informaram que adotarão as medidas judiciais cabíveis para contestar tanto a necessidade quanto a legalidade da decisão.
Em manifestação, o advogado Marcio Sayeg afirmou que o pedido de prisão não apresenta fundamentação concreta suficiente. Ele também ressaltou que a prisão preventiva não pode ser utilizada como antecipação de pena ou determinada automaticamente em razão da gravidade das acusações.
A defesa acrescentou que Senival mantém sua declaração de inocência e confia que os fatos serão esclarecidos durante o andamento do processo.
Investigação sobre a Transunião levou ao bloqueio de R$194 milhões
As suspeitas sobre a atuação de Senival na empresa de transporte já estavam presentes na primeira fase da investigação, em junho. Naquele momento, as autoridades apontaram que o vereador seria o chamado “dono oculto” da Transunião.
Relatórios produzidos pelo Deic identificaram a existência de um núcleo paralelo de decisões dentro da estrutura empresarial. Conforme a investigação, esse grupo teria influência sobre os rumos da companhia e utilizaria a operação do transporte público para movimentar recursos supostamente destinados ao PCC.
A dimensão financeira da apuração levou a Justiça a determinar o sequestro e o bloqueio de R$194 milhões em contas bancárias relacionadas aos investigados.
Além dos recursos financeiros, foram atingidos 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. Entre os patrimônios identificados estava um sítio de alto padrão situado no sul de Minas Gerais.
Morte de ex-diretor da Transunião entrou no foco das investigações
A investigação sobre uma possível participação do PCC na Transunião ganhou força a partir das apurações sobre a morte de Adauto Jorge, ex-diretor financeiro da empresa, em 2025.
Durante o trabalho investigativo, foram reunidos elementos que apontariam para a utilização da concessionária em um esquema atribuído à facção criminosa.
De acordo com os dados apresentados na investigação, a empresa teria recebido mais de R$300 milhões do sistema de transporte público de São Paulo no período analisado.
O caso reúne duas frentes de repercussão: o avanço das medidas judiciais contra os investigados e os possíveis desdobramentos políticos na Câmara Municipal de São Paulo, especialmente diante do afastamento de um vereador que está em seu sexto mandato.
As acusações contra Senival Moura permanecem sob investigação. O parlamentar nega envolvimento com o PCC e com qualquer esquema de lavagem de dinheiro.




