Brasil supera Estados Unidos em ranking global de liberdade de expressão e de imprensa
Índice internacional aponta desempenho brasileiro superior ao norte-americano, mas especialistas e sociedade precisam manter o debate sobre os desafios à liberdade de informação e à democracia.
Publicado em 4 de novembro de 2026, 14:45 — Em São Paulo

O Brasil aparece em posição de destaque no cenário internacional quando o assunto é liberdade de expressão e de imprensa. Com pontuação de 0,91 no Freedom of Expression Index, indicador divulgado pelo Our World in Data com base em dados do V-Dem Institute, o país supera os Estados Unidos, que alcançaram 0,73 na mesma avaliação.
O resultado chama a atenção por colocar o Brasil à frente de uma das democracias mais tradicionais do mundo e evidencia diferenças importantes entre os ambientes institucionais dos dois países. Em uma escala que vai de zero a um, quanto mais próximo do limite máximo, maior é o nível de proteção à liberdade de expressão, à atuação jornalística e aos direitos civis considerados pelo levantamento.
A pontuação brasileira situa o país entre aqueles que apresentam indicadores elevados de proteção às liberdades fundamentais. O desempenho também reforça a importância das garantias constitucionais e das instituições democráticas na preservação do direito à informação, à manifestação e à livre circulação de ideias.
O levantamento, entretanto, mostra que ainda há referências internacionais com resultados superiores. Países do norte europeu, como Noruega, Suécia e Dinamarca, permanecem entre os primeiros colocados, demonstrando que a construção de ambientes mais seguros e independentes para o exercício da liberdade de expressão exige continuidade e aprimoramento institucional.
Para chegar aos resultados, o V-Dem Institute reúne avaliações de aproximadamente 3,5 mil especialistas internacionais, que analisam diferentes dimensões do funcionamento democrático. Entre os aspectos considerados estão a independência dos meios de comunicação, a autonomia da atividade jornalística e o respeito aos direitos relacionados à manifestação de opiniões.
Mais do que uma disputa entre países
A comparação entre Brasil e Estados Unidos oferece um dado relevante, mas não deve ser interpretada como uma certificação definitiva de que todas as garantias democráticas estejam plenamente asseguradas no território brasileiro. Indicadores internacionais são instrumentos importantes de diagnóstico, mas precisam ser analisados em conjunto com a realidade social, política e institucional de cada nação.
O resultado também abre espaço para uma reflexão necessária: até que ponto a liberdade de expressão está efetivamente protegida quando jornalistas enfrentam ameaças, cidadãos são alvo de intimidação e o debate público é atravessado pela desinformação e pela polarização?
Uma democracia não se fortalece apenas pela posição que ocupa em um ranking, mas pela capacidade de assegurar, na prática, que diferentes vozes possam se manifestar, questionar o poder e participar da construção coletiva da sociedade.
O desempenho brasileiro merece atenção, mas também responsabilidade. Afinal, a liberdade de expressão não é uma conquista permanente e imune a retrocessos. É um direito que precisa ser defendido continuamente, inclusive quando as opiniões em circulação contrariam interesses políticos, econômicos ou ideológicos.
O verdadeiro desafio, portanto, não está apenas em superar outras nações nos indicadores internacionais, mas em transformar bons resultados estatísticos em garantias concretas para todos. Uma democracia se mede não somente pela liberdade de quem concorda, mas, sobretudo, pela proteção assegurada a quem pensa diferente.




