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Tarcísio defende possibilidade de impeachment de ministros do STF e fala sobre alianças do Centrão e fim da reeleição

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou na última semana que ministros do Supremo Tribunal Federal podem ser submetidos a processos de impeachmen

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 24 de agosto de 2026, 09:02 — Em São Paulo

3 min de leitura
Tarcísio defende possibilidade de impeachment de ministros do STF e fala sobre alianças do Centrão e fim da reeleição
Tarcísio defende possibilidade de impeachment de ministros do STF e fala sobre alianças do Centrão e fim da reeleição

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou na última semana que ministros do Supremo Tribunal Federal podem ser submetidos a processos de impeachment, desde que sejam respeitadas as regras constitucionais e o devido processo legal.

A declaração ocorreu durante uma sabatina realizada pelos jornais O Globo e Valor Econômico, em parceria com a rádio CBN. Tarcísio foi questionado sobre os pedidos de afastamento apresentados contra integrantes do Supremo e defendeu que o assunto seja tratado como uma questão institucional, e não como uma disputa pessoal.

Segundo o governador, o impeachment é um mecanismo previsto no ordenamento jurídico e, portanto, pode ser utilizado quando observadas as regras estabelecidas.

Tarcísio comparou a situação dos ministros do STF à possibilidade de afastamento do presidente da República. Para ele, se o chefe do Executivo pode ser submetido a um processo de impeachment, o mesmo princípio pode alcançar integrantes da Suprema Corte, desde que todas as etapas legais sejam cumpridas.

O debate sobre o relacionamento entre os Poderes ganhou força durante o governo Jair Bolsonaro e voltou a ocupar espaço na disputa eleitoral após a prisão do ex-presidente. O assunto também passou a integrar o discurso de campanha de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL.

Em abril, Flávio afirmou que a posição dos candidatos ao Senado em relação ao impeachment de ministros do Supremo deveria ser considerada pelo eleitor. Ele também defendeu mudanças mais amplas no Judiciário e chegou a falar em uma reforma da estrutura da Justiça.

Centrão prioriza formação de bancadas

Durante a sabatina, Tarcísio também avaliou o comportamento dos partidos que integram o chamado Centrão. Na avaliação dele, a prioridade dessas legendas atualmente é ampliar suas bancadas no Congresso, mesmo que isso signifique adotar posições diferentes de acordo com cada região do país.

O governador citou diferenças entre as articulações políticas no Norte e Nordeste e aquelas existentes no Sul e Sudeste. Segundo ele, há parlamentares que preferem manter proximidade com o PT e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em determinadas regiões, enquanto outros optam por se aproximar de Flávio Bolsonaro.

Para Tarcísio, essa liberdade de atuação regional faz parte de uma estratégia partidária voltada à conquista do maior número possível de cadeiras no Legislativo.

Ele também avaliou que o cenário político brasileiro perdeu a capacidade de construir consensos. Na visão do governador, a desorganização dos partidos acaba refletindo também sobre o funcionamento das instituições.

Governador apoia fim da reeleição

Outro assunto abordado na entrevista foi a proposta de acabar com a possibilidade de reeleição para presidente da República.

Apesar de estar disputando a própria reeleição ao governo paulista, Tarcísio afirmou acreditar que Flávio Bolsonaro cumprirá a promessa de apoiar o fim da reeleição caso chegue à Presidência. Ele lembrou que o candidato do PL é signatário da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada em março.

Para Tarcísio, a possibilidade de buscar um segundo mandato pode influenciar decisões de governantes, principalmente quando determinadas medidas são impopulares. Segundo ele, a ausência de uma nova disputa eleitoral permitiria que o governante tomasse decisões considerando menos os efeitos sobre sua própria permanência no cargo.

Questionado se a defesa do fim da reeleição poderia ter relação com uma eventual candidatura presidencial de Tarcísio em 2030, o governador negou essa interpretação.

Na avaliação dele, a proposta representa uma possibilidade de renovação política e não deve ser analisada a partir de interesses eleitorais individuais.

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