Caiado pede cassação de Lula e Flávio após debate
Caiado criticou ausência dos candidatos e cobrou punição eleitoral.
Publicado em 24 de agosto de 2026, 11:21 — Em São Paulo

A ausência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro debate entre candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 provocou críticas de um dos concorrentes ao Palácio do Planalto. Ronaldo Caiado (PSD) afirmou neste domingo (23.ago.2026) que os dois deveriam ter os registros de candidatura cassados por não terem participado do encontro promovido pela Band.
Antes do debate, Caiado classificou a ausência dos adversários como um desrespeito aos eleitores. Segundo ele, a participação nos debates faz parte do processo de apresentação das propostas e de confronto de ideias entre os candidatos.
“A Band está dando oportunidade para que todos venham debater. É a beleza da democracia. A argumentação é que prevalece”, afirmou.
Na avaliação do candidato, Lula e Flávio Bolsonaro não deveriam permanecer na disputa depois de optarem por não comparecer ao evento.
““Para ganhar voto fora do jogo, eles deveriam o registro cassado porque isso é um desrespeito com o eleitor brasileiro. Não mereciam ter o registro mantido”, declarou.”
</b>A decisão de não participar, entretanto, não foi exclusiva dos dois candidatos. Romeu Zema (Novo) também não compareceu ao debate. A assessoria do governador informou a desistência às 12h01 deste domingo, em nota enviada à imprensa, e relacionou a decisão à ausência de Lula.
O que diz a legislação
Apesar da crítica de Caiado, a legislação eleitoral não estabelece a participação obrigatória dos candidatos em debates. A Lei nº 9.504/1997 determina que emissoras de rádio e televisão devem convidar candidatos cujos partidos tenham, no mínimo, cinco congressistas no Congresso Nacional, observadas as regras previstas na própria legislação.
O convite, porém, não transforma o debate em uma obrigação para o candidato. A participação é voluntária e pode ser definida pelas campanhas de acordo com suas estratégias eleitorais.
Assim, a ausência de um concorrente pode gerar repercussão política, críticas públicas e impacto na percepção do eleitorado, mas não significa, por si só, perda automática do registro de candidatura.
Debate vai além da presença
A controvérsia reacende uma discussão recorrente nas eleições: até que ponto candidatos à Presidência devem ser obrigados a enfrentar debates públicos?
De um lado, há o argumento de que o eleitor tem o direito de acompanhar o confronto direto de ideias, comparar propostas e cobrar respostas dos candidatos. De outro, campanhas podem entender que determinados debates não são estratégicos ou que a ausência de um adversário altera as condições do confronto.
Mais do que decidir quem ganhou ou perdeu um debate, a questão coloca em discussão o próprio compromisso dos candidatos com o diálogo público. Se a democracia depende da escolha consciente do eleitor, a participação em debates deveria ser encarada como uma obrigação política, ainda que não seja uma obrigação legal? Ou cabe exclusivamente ao candidato decidir quando e onde expor suas ideias? A resposta envolve um equilíbrio delicado entre liberdade de estratégia eleitoral, direito à informação e respeito ao eleitor.



