Janja convoca mulheres para defender legado de Lula
Da agenda social à articulação política, primeira-dama consolida espaço próprio no governo.
Publicado em 24 de agosto de 2026, 10:21 — Em São Paulo

A participação das mulheres voltou a ocupar o centro da estratégia política de Luiz Inácio Lula da Silva. Durante ato realizado neste sábado (22) no estádio Proletário Moça Bonita, em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, a primeira-dama Janja Lula da Silva convocou mulheres a transformarem conversas do cotidiano em espaços de debate sobre as ações do governo federal.
A orientação foi direta: falar com familiares, amigas, vizinhas e colegas de trabalho sobre o que, na avaliação dela, foi reconstruído pelo governo desde o retorno de Lula à Presidência. “Vamos falar sobre o Brasil que o presidente Lula reconstruiu. Com o Brasil que nós vamos continuar construindo, com políticas públicas que transformam a vida de milhões de brasileiras e brasileiros”, afirmou.
A fala ocorre em um momento em que o eleitorado feminino aparece como peça importante na disputa presidencial de 2026. No Rio, Janja reforçou a ideia de que as mulheres tiveram papel decisivo na eleição de Lula em 2022 e podem novamente influenciar o resultado das urnas.
O papel de Janja no governo
Embora não ocupe cargo eletivo nem tenha função formal na estrutura administrativa do governo, Janja construiu, desde 2023, uma atuação pública concentrada principalmente em temas sociais, direitos das mulheres, combate à fome, cultura e participação feminina na política.
Um dos momentos de maior projeção ocorreu durante a presidência brasileira do G20, em 2024. Janja participou de debates sobre políticas públicas voltadas a mulheres e meninas em situação de vulnerabilidade e defendeu que programas de transferência de renda, alimentação escolar e ações de combate à fome levassem em consideração as desigualdades de gênero.
Na mesma agenda internacional, também ajudou a dar visibilidade à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa apresentada pelo Brasil durante o G20. A proposta busca reunir políticas públicas consideradas eficazes para que outros países possam adaptá-las às próprias realidades.
A primeira-dama também passou a ter presença frequente em agendas relacionadas à defesa das mulheres e ao enfrentamento da misoginia. A mobilização nacional “Brasil sem Misoginia”, lançada pelo Ministério das Mulheres, procurou envolver governos, empresas, movimentos sociais, instituições de ensino, organizações religiosas, artistas e outros setores da sociedade na prevenção da violência e da discriminação contra mulheres.
É importante, porém, separar o protagonismo político de Janja da autoria administrativa das políticas públicas. Programas como Bolsa Família, ações de combate à fome e políticas de proteção às mulheres são executados pelos ministérios e demais órgãos do governo. A contribuição de Janja tem ocorrido principalmente por meio da mobilização, da defesa pública dessas agendas e da amplificação de temas sociais dentro e fora do país.
De primeira-dama a personagem política
A fala de Janja abre uma discussão que ultrapassa a disputa entre governo e oposição: qual deve ser o papel de uma primeira-dama em uma democracia?
É legítimo que Janja use sua visibilidade para defender políticas públicas nas quais acredita e estimular a participação das mulheres na vida política. Ao mesmo tempo, quanto maior sua influência, maior também deve ser o espaço para que a sociedade questione, compare resultados e cobre transparência.
Mais do que convencer familiares ou colegas a votar em determinado projeto político, talvez o desafio seja transformar essas conversas em debates de verdade: o que melhorou na vida dos brasileiros? O que ainda não funcionou? Quais promessas foram cumpridas? O que precisa avançar? E quais caminhos devem ser escolhidos para o futuro do país?
Em uma democracia, defender um legado faz parte do jogo político. Mas avaliá-lo com espírito crítico também. E é justamente nessa capacidade de ouvir opiniões diferentes, confrontar argumentos e analisar resultados que o debate público pode deixar de ser apenas uma disputa eleitoral e se transformar em uma escolha consciente sobre os rumos do Brasil.



