Sucessão na Câmara de São Paulo movimenta bastidores da base de Ricardo Nunes
A sucessão no comando da Câmara Municipal de São Paulo já começa a movimentar os bastidores e as conversas entre os vereadores que integram a base do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Publicado em 10 de agosto de 2026, 09:27 — Em São Paulo

A sucessão no comando da Câmara Municipal de São Paulo já começa a movimentar os bastidores e as conversas entre os vereadores que integram a base do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
De acordo com parlamentares, o vereador João Jorge (MDB), atual vice-presidente da Casa, vem pavimentando o caminho para disputar a presidência da Câmara no ano legislativo de 2027. A eleição da Mesa Diretora está marcada para 15 de dezembro.
Um dos principais nomes de Nunes no Legislativo municipal, João Jorge teria recebido sinalizações de apoio do prefeito para a disputa. A interlocutores, Nunes indica que o vereador deve contar com seu respaldo caso avance na candidatura.
Se a articulação for confirmada e João Jorge chegar à presidência, a mudança representará o fim da hegemonia do grupo político liderado pelo ex-presidente da Câmara Milton Leite (União Brasil) no comando da Casa. Atualmente, a presidência está nas mãos de Ricardo Teixeira (União Brasil).
Nos bastidores, vereadores relatam que João Jorge já vem assumindo um papel de protagonismo na condução dos trabalhos do Legislativo. O vereador tem presidido sessões e participado da articulação de projetos e de assuntos considerados de interesse da administração municipal.
Nesse trabalho político, Jorge atua ao lado do líder do governo na Câmara, Fábio Riva (MDB), e do vice-líder, Gilberto Nascimento (PL).
A movimentação em torno da próxima eleição da Mesa Diretora ocorre depois de um período de desgaste entre o grupo político de Ricardo Nunes e o de Milton Leite.
A disputa pelo comando da Câmara no último ano expôs o racha entre os dois grupos. Milton Leite defendia um acordo que, segundo ele, teria sido firmado com os demais partidos que compõem a base do prefeito para garantir ao União Brasil a presidência da Casa durante os quatro anos do mandato de Ricardo Nunes.
A proposta previa um sistema de rodízio entre vereadores do partido ao longo da legislatura.
Depois do primeiro ano de Ricardo Teixeira à frente da Câmara, em 2025, Milton Leite tentou fazer seu pupilo político, Silvão Leite, chegar à presidência neste ano. A articulação, porém, não teve o aval da base de Nunes.
O grupo ligado ao prefeito passou a trabalhar pela recondução de Ricardo Teixeira, movimento que aprofundou o conflito político dentro do União Brasil. Durante a disputa, Teixeira chegou a ser ameaçado de expulsão da legenda.
Apesar do desgaste, Ricardo Teixeira acabou sendo eleito para um segundo ano de mandato à frente da Câmara.
Agora, com a sucessão de 2027 entrando no radar dos vereadores, João Jorge surge como um dos nomes centrais da articulação da base de Nunes. A eventual chegada do emedebista à presidência poderá redesenhar a correlação de forças dentro da Câmara e encerrar um ciclo de domínio do grupo de Milton Leite sobre o comando da Casa.
A eleição da Mesa Diretora está prevista para 15 de dezembro e, até lá, as conversas entre os partidos e vereadores da base devem definir o tamanho do apoio à candidatura de João Jorge e o desenho da disputa pelo comando do Legislativo paulistano.



