Salles questiona vínculo de Simone Tebet e Marina Silva com São Paulo na disputa pelo Senado
Em entrevista exclusiva ao Canal Estado SP, pré-candidato criticou a entrada das duas ex-ministras na corrida eleitoral paulista e confirmou representação contra a transferência do título de Tebet
Publicado em 29 de julho de 2026, 01:39 — Em São Paulo

A entrada de Simone Tebet e Marina Silva na disputa pelas duas vagas de São Paulo no Senado foi questionada pelo deputado federal Ricardo Salles. Em entrevista exclusiva ao programa Política em Pauta, do Canal Estado SP, o pré-candidato do Novo afirmou que as duas adversárias construíram suas trajetórias políticas em outros estados e colocou em dúvida a legitimidade de ambas para representar os paulistas.
Salles concentrou as críticas principalmente em Simone Tebet, que transferiu seu domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo. O deputado confirmou que apresentou uma representação ao Ministério Público Eleitoral para solicitar uma investigação sobre as circunstâncias da mudança.
A entrevista foi conduzida pela jornalista Juliana Salto nos estúdios do Grupo Canal, em Piracicaba. Ex-ministro do Meio Ambiente no governo Jair Bolsonaro, Salles pretende disputar uma das duas cadeiras paulistas no Senado nas eleições deste ano.
Representação contra Simone Tebet
Na representação apresentada ao Ministério Público Eleitoral, Salles argumenta que a trajetória profissional e política de Simone Tebet sempre esteve concentrada em Mato Grosso do Sul.
Tebet foi prefeita de Três Lagoas, deputada estadual, vice-governadora e senadora pelo estado. Após deixar o Ministério do Planejamento, filiou-se ao PSB e passou a articular sua pré-candidatura ao Senado por São Paulo.
Salles pede que sejam verificados os documentos utilizados para justificar a transferência do título eleitoral. Entre as informações solicitadas estão comprovantes de residência, documentos referentes a imóveis, declarações de Imposto de Renda e outros registros capazes de demonstrar vínculos de Tebet com o território paulista.
O parlamentar sustenta que a transferência teria ocorrido com finalidade predominantemente eleitoral. A representação, entretanto, não significa que tenha sido constatada alguma irregularidade. Cabe ao Ministério Público Eleitoral analisar os argumentos, solicitar informações e decidir se existe fundamento para outras medidas.
Interlocutores de Simone Tebet afirmaram à imprensa que ela está tranquila em relação ao questionamento e classificaram a iniciativa de Salles como uma tentativa de obter projeção durante a pré-campanha.
Ao responder anteriormente a críticas semelhantes, Tebet afirmou pagar impostos em São Paulo há dez anos e disse possuir vínculos com o estado.
Salles compara situação ao caso de Sergio Moro
Para sustentar o questionamento, Ricardo Salles estabeleceu uma comparação com o caso de Sergio Moro nas eleições de 2022.
Naquele ano, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo rejeitou a transferência do domicílio eleitoral de Moro do Paraná para São Paulo. A maioria do tribunal considerou que os elementos apresentados não eram suficientes para demonstrar vínculo com o estado no momento em que a mudança foi solicitada. A decisão impediu o ex-juiz de disputar a eleição paulista, levando-o posteriormente a concorrer ao Senado pelo Paraná.
Na avaliação de Salles, o mesmo entendimento deveria ser aplicado a Simone Tebet. O deputado argumenta que ambos desenvolveram suas principais atividades profissionais e políticas em outros estados antes de anunciarem a intenção de concorrer por São Paulo.
Os casos, porém, não são automaticamente iguais. A Justiça Eleitoral precisa analisar individualmente os documentos, as datas e os vínculos apresentados por cada pessoa.
O que diz a legislação eleitoral
O conceito de domicílio eleitoral é mais amplo do que o de residência civil. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o vínculo com uma localidade pode ser demonstrado por relações familiares, profissionais, patrimoniais, políticas, sociais ou afetivas.
Portanto, uma pessoa não precisa necessariamente morar de forma permanente no estado para estabelecer ali seu domicílio eleitoral. É necessário, entretanto, comprovar uma ligação considerada suficiente pela Justiça Eleitoral.
Para concorrer, o candidato também deve possuir domicílio eleitoral na respectiva circunscrição pelo prazo mínimo de seis meses antes da eleição. A comprovação definitiva dessas condições ocorre durante a análise do pedido de registro de candidatura.
Marina já foi eleita por São Paulo
Durante a entrevista, Salles também questionou a ligação de Marina Silva com São Paulo. Nascida no Acre, a ex-ministra do Meio Ambiente construiu naquele estado o início de sua trajetória política, tendo exercido mandatos de vereadora, deputada estadual e senadora.
A situação de Marina, contudo, possui uma diferença importante em relação à de Simone Tebet: ela já foi eleita deputada federal por São Paulo em 2022 e exerce mandato representando o estado desde fevereiro de 2023. Seu vínculo eleitoral com São Paulo, portanto, é anterior à atual corrida pelo Senado, conforme mostra o perfil oficial da Câmara dos Deputados.
Marina deixou o Ministério do Meio Ambiente em abril e reassumiu seu mandato na Câmara. Ela colocou seu nome à disposição da Rede Sustentabilidade para disputar uma das vagas paulistas no Senado e pretende integrar o grupo de candidatos que apoiará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Diferentemente do caso de Tebet, Salles não informou durante a entrevista ter apresentado uma medida eleitoral específica contra Marina. A crítica do deputado foi direcionada principalmente à origem e à trajetória da ex-ministra, que ele considera pouco identificadas com os interesses de São Paulo.
Disputa pelas duas vagas paulistas
A corrida pelo Senado em São Paulo reúne nomes de diferentes campos políticos. Além de Salles, Tebet e Marina, aparecem nas articulações eleitorais o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado, e o ex-secretário estadual de Segurança Pública Guilherme Derrite, entre outros possíveis candidatos.
Em 2026, cada eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado. Os dois mais votados serão eleitos para mandatos de oito anos.
As críticas de Ricardo Salles a Simone Tebet e Marina Silva também integram sua estratégia de apresentar a defesa dos interesses paulistas como um dos principais eixos de campanha. Durante a entrevista, ele afirmou que São Paulo arrecada uma parcela expressiva dos impostos federais, mas recebe proporcionalmente poucos recursos de volta.
Para o deputado, os representantes do estado no Senado precisam conhecer as dificuldades enfrentadas pelos municípios paulistas e atuar pela revisão do pacto federativo. Salles citou problemas nas áreas de saúde, segurança, habitação, saneamento e infraestrutura, especialmente nas cidades do interior.
A entrevista completa com Ricardo Salles está disponível no YouTube do Canal Estado SP.



