Reviravolta no PL: Eduardo Bolsonaro fica fora da chapa ao Senado por São Paulo
Mudança expõe reconfiguração da estratégia eleitoral do PL.
Publicado em 30 de julho de 2026, 12:14 — Em São Paulo

A estratégia eleitoral do PL para a disputa ao Senado por São Paulo sofreu uma mudança importante após a saída de Eduardo Bolsonaro da chapa encabeçada por André do Prado. O ex-deputado federal, que chegou a ser um dos principais nomes cotados pelo partido para a corrida eleitoral, decidiu não integrar mais a suplência, em um movimento que reorganiza a composição da candidatura em meio aos desdobramentos de sua situação jurídica.
A definição foi confirmada nesta quarta-feira (29) por André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e candidato ao Senado. Em nota oficial, ele informou que a decisão partiu do próprio Eduardo Bolsonaro e afirmou ter recebido a comunicação com respeito. Segundo André, o ex-parlamentar optou por concentrar seus esforços no projeto político do partido, mantendo apoio às candidaturas lideradas pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo senador Flávio Bolsonaro, oficializado como candidato do PL à Presidência da República.
Apesar de deixar a suplência, Eduardo continuará participando da campanha, mesmo permanecendo nos Estados Unidos. Com a alteração, a chapa passa a ser composta por André do Prado como candidato ao Senado, pelo ex-prefeito de Holambra, Fernando Fiori de Godoy, na primeira suplência, e pela vereadora paulistana Rute Costa na segunda suplência.
Nos bastidores, a mudança já era tratada como um desfecho esperado. Durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25), Eduardo Bolsonaro participou por meio de um vídeo direcionado aos apoiadores, mas evitou qualquer referência à vaga de suplente. O silêncio foi interpretado por integrantes da legenda como um indicativo de que sua permanência na chapa dificilmente seria mantida.
A reconfiguração ocorre após o agravamento da situação judicial do ex-deputado. Inicialmente escolhido para disputar uma cadeira no Senado, Eduardo Bolsonaro passou a enfrentar obstáculos políticos em razão de processos relacionados à sua atuação nos Estados Unidos junto a integrantes do governo de Donald Trump, em iniciativas voltadas à adoção de sanções contra autoridades brasileiras. Conforme informado, ele também foi declarado inelegível pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), após condenação pelo crime de coação no curso do processo ligado à investigação da trama golpista.
A saída de Eduardo Bolsonaro evidencia como questões judiciais passaram a influenciar diretamente a estratégia eleitoral do PL e o futuro político da família Bolsonaro. O episódio reforça que decisões dos tribunais têm repercussões que ultrapassam o âmbito jurídico e alcançam a formação de chapas, alianças e projetos eleitorais. Ao mesmo tempo em que apoiadores enxergam uma intensificação da judicialização da política, críticos defendem que agentes públicos devem responder por seus atos sempre que houver indícios de irregularidades. O caso demonstra que, em um cenário de elevada polarização, disputas políticas e processos judiciais seguem caminhando lado a lado, tornando cada novo desdobramento relevante não apenas para os envolvidos, mas também para o debate sobre a estabilidade institucional e o processo democrático brasileiro.
Redatora: Amanda Mendes



